Tailândia avalia estado de emergência depois de fim de semana violento

Autoridades da Tailândia estão considerando "muito seriamente" declarar estado de emergência depois de um fim de semana de violência na capital, onde manifestantes tentam há mais de dois meses derrubar o governo, disse o responsável pela segurança nacional nesta segunda-feira.

AMY SAWITTA LEFEVRE, Reuters

20 de janeiro de 2014 | 11h09

A violência é o mais recente episódio num conflito de oito anos que tem de um lado a elite e a classe média de Bangcoc e do outro os mais pobres, principalmente da área rural, que dão apoio à primeira-ministra Yingluck Shinawatra e ao irmão dela e ex-premiê, Thaksin Shinawatra, derrubado pelos militares em 2006.

"Estamos preparados para usar o decreto de emergência. Todos envolvidos, incluindo a polícia, os militares e o governo, estão considerando essa opção muito seriamente, mas ainda não há um acordo", afirmou à Reuters Paradorn Pattantabutr, chefe do Conselho de Segurança Nacional, depois de se encontrar com a premiê.

"Os manifestantes disseram que fecharão várias instalações do governo. Até agora, esses fechamentos foram simbólicos. Ele vão até os locas e então eles vão embora", declarou ele.

"No entanto, se a tática deles mudar, e eles fecharem instalações do governo ou bancos de forma permanente, as chances de distúrbios aumentam, e nós vamos ter que recorrer a essa lei."

O decreto de emergência dá às agências de segurança poderes amplos para impor toque de recolher, prender suspeitos sem acusação formal, censurar a imprensa, proibir encontros políticos de mais de cinco pessoas e isolar partes do país.

O tamanho dos protestos em Bangcoc tem diminuído, mas o Centro de Administração da Paz e da Ordem, um grupo que reúne o governo e autoridades de segurança, disseram que manifestações pequenas se espalharam por 18 outras áreas.

"Os manifestantes não ameaçaram fechar prédios do governo, mas eles recebem ordens dos seus líderes em Bangcoc. Então, estamos vigiando-os", disse o porta-voz da centro Anucha Romyanan à Reuters.

Um homem morreu e dezenas de pessoas ficaram feridas, algumas gravemente, quando granadas foram atiradas contra manifestantes contrários ao governo no centro da cidade na sexta-feira e no domingo.

"Acho que esses ataques são feitos para provocar uma reação do Exército", afirmou Paul Chambers, diretor de um instituto na Tailândia sobre temas do Sudeste da Ásia. Ele prevê um aumento moderado da violência.

Isso, segundo ele, poderia levar a Comissão Eleitoral a se recusar a acompanhar as eleições de 2 de fevereiro, que o principal grupo de oposição prometeu boicotar.

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