Tailândia decide não extraditar 'Mercador da Morte' aos EUA

Traficante é acusado de vender armas a países em guerra e às as Farc; americanos tem 72 horas para recorrer

Efe,

11 de agosto de 2009 | 14h04

A Justiça da Tailândia recusou nesta terça-feira, 11, o pedido dos Estados Unidos para extraditar do suposto traficante de armas de origem russa Viktor Bout, conhecido como o "Mercador da Morte" e acusado de terrorismo por fornecer mísseis à guerrilha colombiana.

 

O juiz tailandês responsável pelo caso deu às autoridades americanas o prazo de 72 horas para que decidam se recorrem da decisão. Caso contrário, Bout sairá em liberdade.

 

Washington acusa o russo de envolvimento em operações para vender armas às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e à organização terrorista Al Qaeda, além de conspirar para assassinar funcionários americanos, crimes pelos quais, caso condenado nos EUA, poderia pegar prisão perpétua.

 

Bout, detido em Bangcoc em meados de 2008, insiste que as acusações são falsas e que sua prisão foi uma operação política do governo colombiano para enfraquecer as Farc.

 

O Departamento de Justiça americana o acusa de "conspirar para dar apoio material a uma organização terrorista estrangeira" ao ter conduzido a venda de lança-foguetes e mísseis à guerrilha colombiana. Porém, a defesa argumenta que a detenção de Bout foi ilegal, já que ele não cometeu crime algum na Tailândia, e que os EUA carecem de competências sobre as atividades dele em outro país.

 

Bout, cuja vida inspirou o filme "O Senhor das Armas" (2005), viu sua carreira na KGB (antigo serviço secreto russo) se dissolver junto com a União Soviética e se dedicou então a vender armamento a nações em conflito como Serra Leoa, Angola e República Democrática do Congo. Um relatório da Anistia Internacional de 2005 também o implica em redes de tráfico de armas com Bulgária, Moldávia e Ucrânia.

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