Tailândia declara estado de emergência em aeroportos tomados

Bangcoc tem vôos interrompidos; governo pede que militares permaneçam nos quartéis por ameça de golpe

Agências internacionais,

27 de novembro de 2008 | 09h43

O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, declarou estado de emergência nos dois aeroportos ocupados por manifestantes contra o governo, segundo afirmaram autoridades do governo nesta quinta-feira, 27. As autoridades tailandesas fecharam um segundo aeroporto na capital, Bangcoc depois que ele foi invadido por manifestantes que exigem a renúncia do premiê. Os manifestantes haviam bloqueado o terminal de Don Mueang, em uma aparente tentativa de impedir que ministros embarcassem rumo a Chiang Mai, no norte da Tailândia, para se encontrarem com Somchai.   Veja também: Oposição toma segundo aeroporto de Bangcoc   O governo tailandês pediu nesta quinta-feira aos militares para que permaneçam nos quartéis. Há rumores de um golpe de Estado no país, envolvido em uma onda de protestos liderada por um movimento oposicionista. O governo emitiu decretos de emergência em relação aos aeroportos Suvarnabhumi e Don Mueang. Os dois estavam paralisados pela presença de milhares de oposicionistas que pedem a queda do governo. A informação foi dada por um ministro, que pediu anonimato. A autoridade afirmou que o estado de emergência possibilitará ao governo restabelecer o controle e dispersar os manifestantes.   A Tailândia vive uma situação de forte instabilidade há dias. Milhares de manifestantes ocuparam dois aeroportos de Bangcoc - entre eles o internacional - e forçaram a interrupção dos pousos e decolagens. O poderoso chefe das Forças Armadas, general Anupong Paojinda, pediu na quarta-feira ao primeiro-ministro Somchai Wongsawat para convocar novas eleições, a fim de encerrar o impasse. Somchai solicitou uma reunião de emergência nesta quinta-feira, porém negou que vá deixar o cargo ou convocar eleições.   O primeiro-ministro, também ministro da Defesa, convocou a reunião emergencial de gabinete para a cidade de Chiang Mai, no norte do país. Os protestos contra o governo já duram seis meses, mas ganharam força nos últimos dias. O porta-voz oficial disse que não havia temas secretos e negou que haja a intenção de retirar Anupong do comando dos militares. "Por favor, vivam suas vidas normalmente", pediu o funcionário.   A Aliança do Povo pela Democracia é o grupo que protesta contra o governo e pede aos militares que derrubem o governo, democraticamente eleito. Os protestos da mesma aliança culminaram em 2006 com um golpe militar contra o então primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, acusado por corrupção. Thaksin foi condenado, mas afirma que o caso é político e vive exilado na Grã-Bretanha. O atual primeiro-ministro, Somchai, é cunhado de Thaksin e acusado de ser um fantoche do ex-líder. Anupong disse que o pedido ao primeiro-ministro para que dissolva o Parlamento e convoque eleições não era um golpe. Segundo o chefe militar, o governo ainda tem "total autoridade".   O impasse político na Tailândia não poderia ocorrer em um momento tão crítico - o auge da temporada turística. Centenas de vôos foram cancelados e dezenas de milhares de turistas continuam presos na cidade. A indústria do turismo é uma grande fonte de renda para o país. Em 2005, a Tailândia recebeu 15 milhões de visitantes estrangeiros.

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