Tailândia manterá estado de emergência por 60 dias

O governo da Tailândia declarou nesta terça-feira estado de emergência em Bangcoc e áreas próximas a fim de conter os protestos que desencadearam violentos ataques, aumentando a sensação da crise que já dura um mês no país. O ministro do Trabalho, Chalerm Yubumrung, anunciou que a medida será mantida por 60 dias.

AE, Agência Estado

21 de janeiro de 2014 | 16h17

O decreto expande enormemente o poder das forças de segurança de emitir ordens e realizar buscas, prisões e deter pessoas, com supervisões parlamentar e judicial limitadas. As áreas cobertas pela medida já tinham sido submetidas à segurança maior que o normal de acordo com a Lei de Segurança Interna da Tailândia.

O estado de emergência é uma resposta ao aumento dos ataques em locais de protestos. Os governo e os manifestantes culpam uns aos outros pela violência. Os ataques incluem granadas lançadas à luz do dia e tiroteios. No domingo, 28 pessoas ficaram feridas quando duas granadas foram atiradas em um dos vários locais de protestos estabelecidos em importantes cruzamentos de Bangcoc.

Outro ataque com granadas em uma marcha de manifestantes na última sexta-feira deixou um homem morto e dezenas de feridos. Nenhuma prisão foi feita nos ataques. Nove pessoas morreram e centenas ficaram feridas na violência desde que as manifestações começaram no início de novembro. Os manifestantes aumentaram suas táticas neste mês com uma ameaça de "fechar" a capital a fim de impedir o funcionamento do governo.

A primeira-ministra da Tailândia, Yingluck Shinawatra, enfatizou que cada funcionário de um novo centro de emergência estabelecido sob o decreto "precisa trabalhar com paciência e cautela".

"Nós repetimos que cuidaremos da situação de acordo com as práticas internacionais, como sempre falamos. Nós temos de usar o princípio da negociação primeiro", ressaltou Shinawatra.

O líder dos protestos Suthep Thaugsuban questionou, em um discurso para partidários, se a declaração era justificada, afirmando que os manifestantes têm sido pacíficos. "É certo eles usarem a decreto de emergência para declarar um estado de emergência para vir e lidar com a gente? Venham nos pegar", declarou ele para uma multidão entusiasmada de centenas de pessoas em um parque no centro de Bangcoc. Milhares de pessoas estão acampadas em outros locais da capital.

Os manifestantes querem a renúncia de Yingluck a fim de abrir caminho para um governo nomeado para implementar reformas para combater a corrupção. A primeira-ministra convocou eleições para 2 de fevereiro, mas os manifestantes insistem que ela não será realizada. O Partido Democrata, de oposição, alinhado com os manifestantes, está boicotando as eleições. O anúncio do decreto de emergência disse que as eleições serão realizadas como o planejado. Mas a Comissão Eleitoral estatal pediu repetidamente que o voto seja adiado, e é difícil dizer se ele pode ser mantido nos redutos dos protestos no sul da Tailândia.

Os manifestantes acusam o governo de Yingluck de seguir as mesmas práticas de Thaksin Shinawatra, seu irmão bilionário que foi primeiro-ministro 2001-2006, ao usar a fortuna da família e de fundos estatais para influenciar os eleitores e solidificar o seu poder. Thaksin foi deposto por um golpe militar em 2006, após protestos de rua o acusarem de corrupção e abuso de poder. Ele fugiu para o exílio em 2008 para evitar uma pena de prisão de dois anos. Fonte: Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
TAILÂNDIAPOLÍTICAESTADOATUALIZA 1

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.