Tailândia obriga retorno de 166 refugiados a Mianmar

A Tailândia obrigou 166 homens, mulheres e crianças a voltarem a Mianmar no sábado apesar de estarem fugindo de combates em seus vilarejos, medida que provocou na terça-feira uma condenação da agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU).

REUTERS

28 de dezembro de 2010 | 16h36

Cinquenta mulheres, 70 crianças e 46 homens em Wa Lay, na província de Tak, receberam ordens para se retirarem, disse em comunicado o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

A agência disse que apesar de aprovar a política da Tailândia de permitir a entrada de birmaneses durante períodos de violência, eles deveriam retornar para casa apenas voluntariamente e em condições seguras.

"Eles estavam fugindo de confrontos entre o governo e rebeldes étnicos no sudeste do Mianmar. As pessoas eram (da etnia) karen", disse o porta-voz do Acnur, Babar Baloch, à Reuters em Genebra.

Nenhum membro da missão diplomática da Tailândia na ONU estava imediatamente disponível para comentar em Genebra, na Suíça.

A junta militar que governa Mianmar é acusada há muito tempo de perseguir as minorias étnicas do país, incitando um êxodo contínuo. Segundo a agência, cerca de 150 mil refugiados vivem em acampamentos oficiais na fronteira entre Tailândia e Mianmar.

Ao menos 3 mil refugiados entraram na Tailândia desde junho de 2009, em decorrência do aumento da violência na região fronteiriça no sudeste.

O Acnur expressou sua preocupação ao governo tailandês nas últimas semanas, alertando para a forma apressada com que os refugiados são obrigados a retornar.

Alguns fugiram de suas casas novamente quando os combates ressurgiram pouco depois do retorno, informou a agência.

Enquanto a Tailândia tem sido importante na acolhida aos refugiados há quatro décadas, o país não ratificou a convenção da ONU para refugiados, de 1951.

(Reportagem de Stephanie Nebehay)

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