Tailândia revoga passaporte de ex-premiê que incitou protestos

Polícia tailandesa busca dez líderes de protesto que desestabilizou o país nas últimas semanas

Agências internacionais,

15 de abril de 2009 | 09h06

O governo da Tailândia revogou o passaporte do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que responde a uma ordem de detenção por reunião pública ilícita e incitação à alteração da ordem, em relação aos protestos de Bangcoc nos últimos dias que deixaram dois mortos e 123 feridos. A polícia procura ainda dez dos 13 líderes dos protestos e vigia os aeroportos e portos de saída do país.

 

Caso sejam considerados culpados dos delitos, os líderes podem receber sentenças de entre três e sete anos de prisão. As ordens de detenção foram emitidas pouco depois que os manifestantes se retiraram dos limites da sede do governo, após duas semanas de mobilização para forçar a renúncia do atual premiê, Abhisit Vejjajiva.

 

Segundo o Ministério de Relações Exteriores, a revogação do passaporte de Shinawatra foi adotada no domingo passado, mesmo dia em que o Executivo declarou estado de exceção na capital e em cinco províncias vizinhas, na tentativa de controlar as manifestações contra o governo. Shinawatra, condenado à revelia em outubro do ano passado a dois anos de prisão por crime de abuso de poder quando governou o país, entre 2001 e 2006, está no exílio desde agosto.

 

Deposto por um golpe militar em 2006, Shinawatra é o principal líder da Frente Unida pela Democracia e contra a Ditadura (UDD, na sigla em inglês), popular entre a maioria pobre e rural da Tailândia. O grupo rival à UDD, a Aliança Popular pela Democracia, formada por monarquistas, membros da classe média urbana e militares, derrubou em dezembro o premiê Somchai Wongsawat após bloquear por dois meses os dois principais aeroportos de Bangcoc. Nos últimos 15 meses a Tailândia teve 4 premiês, mas nenhum conseguiu solucionar as divisões internas. Ao todo, foram 18 golpes militares em 70 anos de monarquia constitucional. Mas, desta vez, o Exército promete não intervir.

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