Tailândia rompe relações com o Camboja

A Tailândia fechou nesta quinta-feira sua fronteira com o Camboja, rompeu os laços diplomáticos com o vizinho e retirou seus cidadãos no país após manifestações antitailandesas sem precedentes que terminaram com sua embaixada incendiada e seus negócios destruídos. Aviões militares tailandeses realizaram sete vôos emergenciais a partir de Bangcoc para retirar do Camboja 703 tailandeses que correram para o aeroporto de Phnom Penh depois dos atos violentos de quarta-feira. A violência foi desencadeada por reportagens publicadas pela imprensa segundo as quais uma estrela da TV tailandesa teria alfinetado o Camboja, supostamente questionando a soberania do vizinho sobre o templo de Angkor Wat. A atriz Suwanan Kongying voltou a negar ter feito a declaração e garantiu nunca em sua vida ter sugerido que Angkor Wat pertencia à Tailândia. Historicamente, o governo tailandês nunca reclamou soberania sobre o templo e nunca teve controle sobre a região onde o mesmo se localiza. O editor de um jornal que publicou as supostas declarações de Suwanan em 18 de janeiro reconheceu à Associated Press que o texto era baseado em rumores e provavelmente está incorreto. Os templos Angkor - ícone cultural cambojano e fonte de orgulho nacional - foram construídos entre os séculos 9 e 15, quando a área era controlada pelo império Khmer, cujos reinados incluam parte da Tailândia.Nos conflitos de ontem, um homem tailandês morreu num hotel incendiado por manifestantes, informou em Bangcoc o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Tailândia, Sihasak Phuangketkeow. Sete tailandeses ficaram feridos.O embaixador da Tailândia no Camboja, Chatchawed Chartsuwan, contou ter escapado da confusão pulando o muro da representação diplomática. Outros nove funcionários da embaixada também fugiram. "Interrompemos todas as nossas atividades no Camboja. Nenhum cambojano receberá permissão para vir à Tailândia e retiraremos todos os cidadãos tailandeses atualmente no Camboja", declarou em Bangcoc o primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.Ele também informou ter ordenado a suspensão de todas as atividades culturais e comerciais, entre outras, com o Camboja. Uma operadora de telefonia celular de propriedade de Thaksin tem bastante penetração no Camboja. Lojas da empresa foram destruídas em meio à violência, assim como três hotéis, dois restaurantes, duas lojas de companhias telefônicas convencionais e uma agência da empresa aérea Thai Airways.Projetos conjuntos suspensos"Todos os projetos governamentais de cooperação técnica e econômica entre os dois países estão suspensos até segunda ordem", dizia uma carta oficial do governo tailandês ao embaixador cambojano no país antes de ele ser expulso. A Tailândia também convocou seu embaixador para consultas.As medidas permanecerão vigentes até que o Camboja ofereça explicações convincentes por não ter agido contra os manifestantes, compense os danos e puna os culpados, dizia a carta.Todos os vôos da Thai Airways para Phnom Penh estão suspensos até segunda-feira. Todas as passagens de fronteira foram fechadas e 67 imigrantes ilegais cambojanos foram detidos numa operação ordenada pelo Ministério da Defesa da Tailândia.

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