Jack Taylor/AFP
Jack Taylor/AFP

Tailândia tem maior protesto em anos contra governo e monarquia

Protestos vêm crescendo no país do sudeste asiático desde meados de julho e quebraram um tabu antigo ao criticar a monarquia do rei Maha Vajiralongkorn

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2020 | 14h07

BANGCOC - Milhares de estudantes e opositores ao governo da Tailândia se reuniram neste sábado, 19, em frente ao Grande Palácio de Bangcoc para pedir do governo uma reforma da Constituição - concentrada sobre os poderes do rei -, a dissolução do atual Parlamento e a realização de eleições democráticas.

De acordo com a polícia, cerca de 20 mil pessoas integraram o protesto até o final da tarde, já os organizadores afirmam que o ato contou com mais 100 mil presentes, o que representa a maior manifestação na Tailândia desde o golpe de Estado de 2014. A manifestação pacífica continuará até o domingo, e os discursos com cobranças ao governo e à monarquia serão feitos à noite.

Protestos vêm crescendo no país do sudeste asiático desde meados de julho e quebraram um tabu antigo ao criticar a monarquia do rei Maha Vajiralongkorn.

Os protestos foram transferidos do câmpus da Universidade Thammasat, um foco tradicional de oposição ao estabelecimento militar e monarquista, para Sanam Luang - traduzido como Campo Real - fora do Grande Palácio.

O protesto ocorreu no aniversário de outro golpe contra o então primeiro-ministro populista Thaksin Shinawatra em 2006. Entre os manifestantes estavam muitos de seus seguidores de camisa vermelha, veteranos dos confrontos de uma década atrás com camisas amarelas pró-estabelecimento.

Os militares, que se autoproclamam defensores da monarquia e da estabilidade nacional, realizaram várias repressões sangrentas contra os manifestantes desde o fim da monarquia absoluta em 1932, bem como 13 golpes bem-sucedidos.

A última vez que uma multidão tão grande se reuniu em Sanam Luang foi para o funeral do rei Bhumibol Adulyadej, que era amplamente venerado no país de 70 milhões de habitantes.

"Estamos muito felizes com a participação. Isso significa que nossas demandas coincidem com o que a gente quer", declarou à agência EFE o líder estudantil Panupong "Mike" Jadnok, um dos organizadores do ato.

As autoridades mobilizaram um amplo esquema de segurança para tentar controlar a multidão. Com os braços para o alto e mostrando três dedos - anelar, médio e indicador -, gesto popularizado pelos filmes da saga Jogos Vorazes, os manifestantes desafiaram o governo e a proibição das autoridades.

Diversos manifestantes usam camisas com piadas sobre o primeiro-ministro, o general que se tornou político, cartazes a favor da democracia e bandeiras de orgulho LGBT para exigir mais direitos.

"O movimento político já existia no Twitter, mas não era suficiente, tínhamos de sair às ruas para protestar. Não esperamos uma mudança imediata, mas queremos dizer que não estamos satisfeitos com o governo", explicoo Sairoung, jovem de 23 anos que já participou de três manifestações nesta nova onda de protestos.

A reivindicação mais espinhosa dos manifestantes é a de limitar o poder da monarquia, de modo que seja submetida a mais controles constitucionais, e acabar com a lei contra a majestade, que pune com até 15 anos de prisão quem criticar a família real./EFE e REUTERS 

 

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