REUTERS/Athit Perawongmetha
REUTERS/Athit Perawongmetha

Tailândia triplica recompensa por pistas sobre autor de atentado

Autoridades oferecem US$ 85 mil para quem ajudar na prisão de suspeito; governo aceita ajuda dos EUA com tecnologia de reconhecimento facial para identificar outros suspeitos

O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2015 | 09h09

BANGCOC - A Tailândia triplicou nesta sexta-feira, 21, o valor da recompensa oferecida por pistas que ajudem a prender o suspeito de ter colocado uma bomba que explodiu perto de um santuário na capital Bangcoc, matando 20 pessoas e deixando mais de 120 feridas. O país também aceitou parcialmente a ajuda dos Estado Unidos para rastrear os responsáveis pelo ataque de segunda-feira.

A recompensa foi elevada para 3 milhões de baht (US$ 85 mil), de acordo com o chefe da polícia nacional, Somyot Poompanmoung. O mandado de prisão contra o suspeito o descreve como um "homem estrangeiro", mas um porta-voz militar afirmou, na quinta-feira, que uma conexão com o terrorismo internacional no caso parece algo improvável.

 

O primeiro-ministro Prayuth Chan-ocha disse ter recebido ofertas de ajuda do embaixador americano em Bangcoc e designou o vice-chanceler para "cooperar no empréstimo de equipamentos que incluam tecnologias de reconhecimento facial". 

Prayuth, no entanto, recusou a participação de investigadores americanos no caso, dizendo que o seu país pode fazer o trabalho necessário. "Não será necessário trabalhar com os investigadores dos EUA", afirmou o premiê. "Nós precisamos nos ajudar."

Somyot havia sinalizado a necessidade da tecnologia de reconhecimento facial para ajudar a acelerar a investigação. "Há máquinas automáticas que podem detectar 100 pessoas em cerca de 5, 6 segundos", disse na quinta-feira. "Se utilizarmos pessoas para a mesma quantidade de identificações, elas levarão um dia inteiro."

 

A Embaixada dos EUA confirmou que ofereceu ajuda para as autoridades tailandesas, mas se recusou a dar detalhes da proposta, dizendo que a investigação está em andamento. "A Embaixada em Bangcoc informou as autoridades tailandesas que está pronta para ajudar com a investigação, conforme necessário", disse a porta-voz da embaixada Melissa Sweeney. "Vamos continuar a ajudar de perto as autoridades locais nas investigações sobre o ataque e vamos prestar assistência conforme o caso."

Quatro dias depois da explosão no Santuário Erawan, em um dos cruzamentos mais movimentados da cidade, autoridades policiais afirmam ter pistas sólidas sobre os responsáveis pelo ataque. A polícia continua, porém, procurando o principal suspeito pela explosão, capturado em um vídeo de segurança deixando uma mochila perto do local do ataque cerca de 15 minutos antes da explosão.

Na quinta-feira, outros dois homens que aparecem no vídeo - e eram suspeitos de terem participado do ataque - foram ouvidos pelas autoridades e tiveram qualquer participação no caso descartada.

Somyot afirmou à imprensa que a polícia também está procurando uma mulher que apareceu na filmagem vestindo uma camisa preta e sentada perto do suspeito. Até o momento, ela não é considerada suspeita, mas seu depoimento pode ter uma valor importante para ajudar nas investigações. 

"Nos ainda não sabemos que ela é", disse Somyot. Quando questionado se outras testemunha seriam chamadas para depor nesta sexta-feira, a autoridade policial disse que não havia planos para isso.

Depois de serem criticadas por enviar mensagens confusas, as autoridades se mostraram mais cautelosas nas declarações nesta sexta. O porta-voz militar coronel Winthai Suvaree disse na televisão que a polícia estava fazendo "muito progresso",  mas que não podia revelar quaisquer detalhes.

Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria pela explosão, deixando em aberto uma vasta gama de possibilidades sobre quem teria executado o ataque. Entre as especulações, imagina-se que a bomba possa ter sido uma retaliação pela recente deportação para a China de mais de 100 cidadãos da etnia muçulmana Uighur ou que tenha sido um ataque de grupos islamistas que tentam expandir sua atuação no sudeste da Ásia.

As autoridades não descartaram, porém, a possibilidade de terrorismo doméstico. Separatistas muçulmanos mantém uma pequena, mas letal, insurgência no sul da Tailândia desde 2004. O grupo já deixou mais de 5 mil mortos em seus ataques que, até hoje, foram todos realizados em províncias do sul do país. / AP

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