Tailândia vive caos e governo decreta estado de emergência

Mais de 30 mil desafiam medida, em meio a temor de novo golpe militar; líder opositor exilado pede ?revolução?

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

13 de abril de 2009 | 00h00

Após dois dias de violentos protestos de rua contra o governo da Tailândia, o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva decretou ontem estado de emergência. Mas dezenas de milhares de pessoas desafiaram a medida e continuaram a ocupar as ruas da capital, Bagcoc. Na manhã de hoje (horário local), pelo menos 68 pessoas ficaram feridas em choques com soldados do Exército. Manifestantes chegaram a invadir o prédio do Ministério do Interior e a depredar o automóvel de Vejjajiva. Em meio ao clima de desordem, o ex-premiê exilado em Londres e líder da oposição, Thaksin Shinawatra, convocou por rádio uma "revolução" no país.A crise política tailandesa se arrasta há 15 meses - período no qual o país teve quatro premiês. A situação tornou-se dramática no sábado, quando manifestantes da Frente Unida pela Democracia e contra a Ditadura (UDD, na sigla em inglês) - tradicionalmente vestidos de vermelho - invadiram um resort no sul do país onde acontecia uma cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), com 16 países. Sem conseguir controlar os distúrbios, o governo cancelou o encontro. Os representantes estrangeiros tiveram de ser resgatados de helicóptero. O líder da invasão, Arisman Poongruengrong, acabou detido.Ontem, os manifestantes voltaram a bloquear ruas, incendiaram carros, ônibus e até as vans das forças de segurança em Bangcoc. O chefe da polícia, Vichai Sangparpai, admitiu que 30 mil pessoas participaram dos protestos na capital. O coronel Sansern Kaewkamnerd, porta-voz do Exército, anunciou que soldados ocupariam hoje 50 pontos estratégicos de Bangcoc para reprimir novos distúrbios. Mas a manobra, garantiu Kaewkamnerd, não é sinal de um iminente golpe de Estado - prática recorrente na política tailandesa (foram 18 golpes em 70 anos).No entanto, é grande o temor de que os militares abandonem o governo. O vice-primeiro-ministro, Suthep Thaugsuban, implorou às forças de segurança para que cumpram sua obrigação. "A polícia e militares devem, inteiramente e obrigatoriamente, fazer seu trabalho para evitar mais destruição", disse em comunicado.?REVOLUÇÃO?Considerado o líder dos manifestantes, o ex-premiê Shinawatra incitou os opositores a fazer uma "revolução". "Agora que há tanques pelas ruas é o momento de o povo despertar em uma revolução", disse Shinawatra - deposto em 2006 num golpe militar e, desde então, exilado em Londres. "Quando for necessário, voltarei ao país para liderá-la (a revolução)." De acordo com o decreto que instaurou o estado de emergência, estão banidas reuniões com mais de cinco pessoas e notícias consideradas ameaçadoras à ordem pública serão censuradas. O governo também reivindica o direito de utilizar a força contra "focos de desordem"."O governo tentará de todas as formas evitar novas destruições. Peço à população apoio com o objetivo de restaurar a ordem na Tailândia", anunciou o premiê Vejjajiva na TV."A situação está completamente fora do controle", disse o reitor da Universidade de Bangcoc, Charnvit Kasetsiri. Segundo ele, "um banho de sangue é altamente provável, caso o premiê não dissolva o Parlamento e renuncie".

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