Taiwan aceita negociar com a China, desde que sem restrições

Presidente taiwanês diz que aceitar condições propostas por Pequim significaria uma rendição da ilha

Efe e Reuters,

16 de outubro de 2007 | 08h52

O presidente taiwanês, Chen Shui-bian, expressou nesta terça-feira, 16, sua disponibilidade em "negociar a paz com a China, sempre que não forem estabelecidas condições prévias", em alusão à colocada pelo presidente da China, Hu Jintao, de que Taipé aceite o princípio de "uma só China". A proposta chinesa foi feita durante o discurso do presidente Hu Jintao durante a abertura do 17º Congresso do Partido Comunista da China. Ele alertou a ilha, que é democrática, contra a declaração formal de uma independência, mas não usou a oportunidade da cúpula para ameaçar Taiwan com o uso da força. Chen rejeitou negociar a paz sob o marco do princípio de "uma só China", já que, para Pequim, isso significa que Taiwan faz parte do gigante asiático. "Um pacto sob o marco de que Taiwan faz parte de uma só China não é um acordo de paz, mas uma rendição", disse Chen aos jornalistas taiwaneses. O líder taiwanês também exigiu que a China retire os mísseis apontados para Taiwan e revogue a lei anti-recessão que legaliza a invasão da ilha, antes de negociar com Taipé, "porque não é possível negociar sob ameaça militar". O vice-presidente taiwanesa, Annette Lu, pediu aos outros dirigentes políticos da ilha que "levem muito a sério a oferta" de Hu para negociar a paz no Estreito de Formosa, mas está consciente das dificuldades. "As duas partes devem buscar o respeito, a igualdade e o benefício mútuo", disse Lu, que também não aceita o princípio de que a ilha é parte da China. Em congressos anteriores do Partido Comunista da China, não foi mencionada a assinatura de possíveis acordos com Taiwan. A China considera Taiwan como parte de seu território, enquanto o governo taiwanês se declara independente de Pequim e defende a soberania da ilha. Pequim defende a soberania sobre Taiwan desde que as duas regiões se separaram em 1949, quando os comunistas venceram a guerra civil chinesa e os nacionalistas fugiram para a ilha.  No passado, a China já quis retomar as conversas com Taiwan, interrompidas desde 1999, quando o então presidente taiwanês Lee Teng-hui insistiu que as relações bilaterais fossem descritas como "especiais de Estado para Estado", o que sugeriria que Taiwan é um país separado.

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