Yi-Ting Chung/REUTERS
Yi-Ting Chung/REUTERS

Taiwan acusa China de aumentar a tensão após incursão recorde de aviões

Ilha vive sob ameaça constante de invasão por parte de Pequim

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2021 | 14h45

TAIPÉ - Taiwan acusou neste sábado, 2, a China de elevar a pressão e tentar minar a paz na região, após a incursão recorde de 38 aviões militares chineses na zona de defesa da ilha.

A demonstração de força de Pequim começou nesta sexta-feira, 1, aniversário do Dia Nacional da China, com a incursão de um número recorde de aviões militares chineses, 38 no total, incluindo um bombardeiro H-6 com capacidade nuclear. Segundo o ministério da Defesa de Taiwan, 39 aviões voltaram a fazer uma incursão na zona da ilha neste sábado, aumentando o recorde do dia anterior.

Os 23 milhões de habitantes da ilha, governada por um regime democrático, vivem sob a ameaça constante de uma invasão da China. Pequim considera que a ilha, administrada por um regime democrático, pertence a seu território e ameaça conquistá-la, inclusive pela força em caso de necessidade. 

Desde que Xi Jinping assumiu, em 2012, a liderança do Partido Comunista da China e, em consequência, do país, os aviões militares chineses entram com frequência na Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ, na sigla em inglês) de Taiwan. 

Mas a incursão de sexta-feira provocou uma resposta especialmente forte de Taipé.

"A China foi beligerante e atacou a paz regional ao executar vários atos de intimidação", declarou o primeiro-ministro Su Tseng-chang neste sábado."É evidente que o mundo, a comunidade internacional, rejeita cada vez mais estes comportamentos da China", completou.

O ministério da Defesa de Taiwan informou que 22 caças, dois bombardeiros e um avião antissubmarino entraram na sexta-feira na ADIZ, ao sudoeste da ilha. E durante a madrugada de sexta-feira para sábado, um segundo grupo de 13 aviões entrou na mesma zona, de acordo com o ministério.

ADIZ não é o mesmo que o espaço aéreo de Taiwan, pois inclui uma área maior que se sobrepõe à parte da zona de identificação de defesa aérea da China continental e até mesmo parte de seu território.

As manobras aconteceram depois que o Reino Unido enviou na última segunda-feira, pela primeira vez desde 2008, um navio de guerra ao Estreito de Taiwan, o mar que separa a ilha da China continental e que Pequim considera uma passagem marítima muito sensível. O exército chinês acusou o Reino Unido de atuar com "má intenção para sabotar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan". Estados Unidos e outros países consideram que a zona pertence a águas internacionais e que, portanto, está aberta a todos.

No ano passado, 380 militares chineses foram detectados na ADIZ e, no decorrer de 2021, mais de 500 já foram identificados. O recorde diário anterior havia acontecido em 15 de junho, quando 28 aeronaves entraram na zona de defesa aérea de Taiwan. 

Alguns analistas alertam que as relações entre a China continental e Taiwan não eram tão tensas desde meados da década de 1990. Fontes militares dos Estados Unidos disseram temer que a China possa estar contemplando invadir a ilha.

Alexander Huang, professor associado da Universidade Tamkang de Taipé, considera que a incursão aérea mais recente não busca apenas enviar uma mensagem a Taiwan.

"A China envia uma mensagem política aos Estados Unidos e ao Reino Unido no dia de seu feriado nacional: 'Não façam bobagens em minha região'", disse Huang, ao recordar que Washington mantém dois porta-aviões na região e Londres, um. /AFP

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