Taiwan estuda ''solução Porto Rico'' para impasse

Analistas não descartam tese de tornar ilha, cuja economia depende de Pequim, um Estado associado da China

Angela Perez, TAIPÉ, O Estadao de S.Paulo

24 de maio de 2008 | 00h00

Numa nova etapa de sua vida política e econômica, com o retorno ao poder, na semana passada, do Partido Nacionalista (Kuomintang), Taiwan estuda formas de superar o impasse com o a China - para a qual a ilha é uma província rebelde. Durante seus oito anos de governo, o Partido Democrático Progressista, que deixou o poder, manteve uma pouco produtiva política de confronto com Pequim.Segundo o professor Ho Kuo-shih, da Universidade Providence, em Taipé, estudiosos taiwaneses vêm apoiando a idéia de que, em longo prazo, Taiwan poderia tornar-se um Estado associado da China - como Porto Rico em relação aos EUA.Para Ho, a política do último governo levou Taiwan a perder posições. ''É preciso que a nova administração dê prioridade à reforma econômica e a um entendimento com a China. Creio que Pequim também quer melhorar as relações e, se deixarmos a disputa diplomática de lado, Taiwan ganhará mais espaço comercial.''A pequena ilha, de 35 mil km2 e 23 milhões de habitantes, tem às suas portas uma potência de 9 milhões de km2 e uma população de 1,3 bilhão, que ameaça usar a força para obter sua reunificação. Taiwan abrigou os nacionalistas de Chiang Kai-chek em 1949, após a derrota para os comunistas.Taiwan, que chegou a ser um dos ''tigres asiáticos'', hoje tem forte dependência econômica da China, apesar de ter-se tornado um dos principais produtores na área de informática.Em 20 anos, os taiwaneses investiram US$ 100 bilhões no continente, onde possuem 100 mil empresas. A China tornou-se o maior mercado exportador de Taiwan e a segundo fonte de importação, atrás do Japão.No entanto, enquanto os chineses do continente estão submetidos a um regime repressor, os taiwaneses vivem uma democracia que, apesar de recente - realizaram suas primeiras eleições presidenciais em 1996 -, se consolida a cada dia. Uma reunificação, nesse quadro, é temida pelos habitantes da ilha.O novo presidente taiwanês, Ma Ying-jeou, disse que não negociará uma reunificação com a China, mas também não reivindicará a independência da ilha - o que manteria o status quo de indefinição, de forma semelhante a Porto Rico.Para Victor Shih, especialista em Ásia da Northwestern University, a China tentará pressionar pela reunificação, mas de forma gradual, como a intensificação das ligações aéreas e marítimas.''Ma vai apoiar essas iniciativas, mas deve levar em consideração as preocupações da população. Se os eleitores acharem que as coisas estão indo rápido demais, ele poderá adiar novas ligações com a China'', disse Shih ao Estado. ''Há um consenso entre os taiwaneses de que a ilha deve manter a soberania, apesar de não ser reconhecida internacionalmente como país.''A repórter viaja a convite do governo de Taiwan

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