Taiwan leva a plebiscito sua relação com a China em situação tensa

O uso da palavra "Taiwan" no plebiscito é interpretado como a rejeição da integração futura com a China

EFE,

22 de março de 2008 | 01h01

Taiwan realiza neste sábado a primeira consulta popular sobre o futuro de sua relação com a China, com um plebiscito sobre a entrada nas Nações Unidas sob o nome independentista de Taiwan. A consulta, no marco das eleições presidenciais, foi impulsionada pelo presidente taiuanês, Chen Shui-bian, em desafio às críticas de Washington e outras potências ocidentais, e as ameaças da China, que considera a ilha parte de seu território. Pequim, que ameaça invadir Taiwan se a região se encaminhar rumo à independência formal, lançou sérias advertências à ilha e observa muito de perto o desenvolvimento do referendo, com o cenário de fundo das desordens no Tibete e regiões próximas. O opositor Partido Kuomintang (KMT) anunciou o boicote do plebiscito temeroso de uma escalada de tensões com a China e Estados Unidos, o maior fornecedor de armas da ilha e seu principal aliado em um eventual conflito militar com Pequim. O uso da palavra "Taiwan", no plebiscito, em vez do título oficial de República da China, é interpretado como a rejeição da integração futura com a China. O plebiscito independentista é acompanhado de outro proposto pelo KMT, sobre a entrada na ONU da região sob o nome de República da China, no qual se ressalta que Taiwan não é parte da República Popular da China, mas que não exclui uma futura união em democracia. Navios de guerra americanos patrulham as águas próximas a Taiwan para dissuadir a China de um ataque militar. A lei eleitoral taiuanesa exige uma participação de 50% do eleitorado para que os resultados de um referendo seja válido. O resultado dos referendos não terá efeitos imediatos na entrada da ilha na ONU, já que a decisão depende dos países-membros e a China, que se opõe, tem poder de veto.

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