Taleban admite que esconde e protege Bin Laden

Sob ameaça de ataques militares norte-americanos, o regime do Taleban admitiu explicitamente neste domingo que mantém escondido e sob proteção o saudita Osama bin Laden, apontado como mentor dos atentados terroristas de 11 de setembro contra Nova York e Washington, que deixaram mais de 6.000 mortos, e não tem intenção de entregá-lo. "Bin Laden está em lugar seguro e sob forte proteção em nosso país", disse o embaixador do Afeganistão no Paquistão, Abdul Salam Zaeef.Em Washingtom o secretário da Defesa norte-americano, Donald H. Rumsfeld, reagiu: "Não temos nenhum motivo para acreditar nas palavras de um representante desse regime".Ele lembrou que "há apenas alguns dias, os talebans afirmavam que ingnoravam completamente o paradeiro dele", reiterando que o objetivo dos Estados Unidos é "desintegrar e liquidar" a Al-Qaeda, organização terrorista de Bin Laden, em todo o mundo. Na Casa Branca, o presidente George W. Bush insistiu: "Os Estados Unidos vão vencer essa guerra que não foi iniciada por nós."Em raro pronunciamento por rádio, o supremo líder do Taleban, mulá Mohammad Omar, desafiou os Estados Unidos e o ex-rei Zaher Shah (cujo retorno ao poder é apoiado pela oposição afegã e por Washington) a intervirem no país.Em Cabul, foi retomado o julgamento de oito funcionários humanitários estrangeiros detidos no Afeganistão. Eles são acusados de pregar o cristianismo. O processo fora suspenso após os atentados de 11 de setembro.Se o Afeganistão não entregar Bin Laden, vai se converter num obstáculo a ser removido, voltou a advertir em Londres o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, referindo-se aos planos de retaliação militar.Em entrevista à BBC, Blair disse ter visto "provas indiscutíveis" do envolvimento de Bin Laden nos atentados contra os Estados Unidos.Por sua vez, o presidente do Paquistão general Pervez Musharraf, disse à CNN que "nenhuma evidência foi compartilhada conosco até o momento". Ele reiterou seu apoio aos norte-americanos na luta contra o terrorismo. Mas insistiu em que seu país não vai integrar uma força militar contra o Afeganistão.Musharraf procurou desfazer os temores de que extremistas afegãos possam invadir arsenais paquistaneses para roubar armas nucleares. "Não existem terroristas afegãos no Paquistão, mas, de qualquer forma, nossas instalações nucleares têm uma estrutura de comando e controle muito segura", garantiu.Segundo o jornal britânico The Observer, o ataque contra as bases de Bin Laden "será desencadeado em 48 horas (a partir de hoje)".Um avião Hercules norte-americano de transporte de tropas desceu neste domingo no aeroporto de Khanabad, no Usbequistão, informou a rede de TV russa NTV, sem mostrar imagens.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.