Taleban afirma que 200 civis já morreram em ataques

O Taleban informou hoje que 200 civis morreram em um ataque por míssil na quarta-feira, quando a aldeia de Karam, nas proximidades de Jalalabad, foi atingida. ?Ainda estamos retirando corpos dos escombros?, disse hoje o vice-governador da província de Nangarhar, onde a aldeia se localiza, Zadra Azam. Autoridades britânicas classificaram as informações do Taleban como propaganda. ?É amplamente conhecido... que não houve morte de civis?, disse a secretária de Desenvolvimento Internacional, Clare Short, em Londres. Ela fez um pronunciamento depois que o Taleban anunciou as mortes em Karam, mas não ficou claro se ela estava se referindo a este ataque. Anteriormente, o Taleban já tinha afirmado que dezenas de civis morreram nos ataques. Os relatos de mortos são difíceis de serem confirmados porque o Afeganistão está isolado do resto do mundo. Estrangeiros - incluindo jornalistas - foram obrigados a se retirar do país. Não há linhas telefônicas internacionais e o uso de telefones por satélite e computadores é rigidamente controlado. Apenas as mortes de quatro funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU), que trabalhavam na desativação de minas no Afeganistão, foi confirmada por autoridades paquistanesas da própria ONU. As declarações de mortos feitas pelo Taleban têm sido geralmente pouco fiéis. O embaixador do Taleban no Paquistão, Abdul Salam Zaeef, mudou os números no meio de uma coletiva de imprensa, na quinta-feira, em Islamabad. Primeiro, ele afirmou que 70 civis tinham morrido desde o início dos ataques, em todo o país e, pouco depois, afirmou que eram 100 mortos num local que ele identificou apenas como uma aldeia próxima de Jalalabad. Agora que o Taleban identificou a aldeia de Karam, é possível obter algumas pistas. A aldeia fica próxima da cidade de Darunta, a 130 quilômetros de Cabul, em uma área onde, acredita-se, Osama bin Laden treina os combatentes do Al-Qaeda. Os acampamentos de Bin Laden foram os primeiros alvos da ofensiva promovida pelos Estados Unidos, no domingo. Os EUA e seus aliados insistiram que fariam todo o possível para evitar as mortes de civis, embora tenham reconhecido que a perda de civis seria praticamente inevitável já que seus alvos estavam em áreas de concentração da população ou próximos delas. ?Acho que todos nesse país sabem que os Estados Unidos não miraram alvos civis. Não fizemos nem vamos fazer isso?, disse o secretário de Defesa dos EUA, Donald H. Rumsfeld, no Pentágono, quando perguntado sobre as mortes civis na quinta-feira. No Paquistão, muitos refugiados afegãos, que deixaram suas casas depois do início dos ataques, confirmaram mortes de civis, mas não deram detalhes. Leia o especial

Agencia Estado,

12 Outubro 2001 | 21h52

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