Alex Brandon / AP
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Taleban ameaça manter combates se Trump deixar negociações sobre tropas no Afeganistão

Segundo o porta-voz do grupo insurgente, se o presidente americano optar por abandonar as conversas, ‘então vamos empreender o primeiro caminho e rapidamente lamentarão’

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2019 | 09h34

CABUL - O Taleban advertiu nesta terça-feira, 10, que os combates prosseguirão no Afeganistão se o governo dos Estados Unidos abandonar as negociações sobre uma retirada de suas tropas do país, como anunciou o presidente americano, Donald Trump.

"Tínhamos duas formas de acabar com a ocupação do Afeganistão, a da jihad e dos combates, e a do diálogo e das negociações. Se Trump quiser parar as negociações, então vamos empreender o primeiro caminho e rapidamente lamentarão", afirmou o porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid.

Na segunda-feira, o presidente americano anunciou que as negociações "estão mortas", após o cancelamento de uma reunião secreta prevista para Camp David. "Estão mortas. Para mim, estão mortas", afirmou ele.

A declaração contradiz as palavras do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que no domingo não descartou a retomada das negociações com os insurgentes.

Atentado em Cabul

Depois de romper as negociações - que pareciam próximas de uma conclusão com um acordo após 18 anos de guerra -, Trump afirmou que o Exército americano reforçou a ofensiva contra o movimento rebelde desde o atentado de quinta-feira em Cabul, que matou um soldado americano.

"Nos últimos quatro dias atacamos mais forte nossos inimigos como em nenhum outro momento nos últimos 10 anos", disse Trump no Twitter, em resposta à ameaça divulgada pelos taleban no domingo de levar sofrimento aos EUA.

Mas não está claro se a ruptura das negociações significará o adiamento da anunciada retirada progressiva de parte dos quase 14 mil soldados americanos no Afeganistão.

"Gostaria de sair, mas vamos sair no momento correto", afirmou Trump, evasivo, que em sua campanha eleitoral prometeu "terminar com as guerras sem fim".

Divergências no Executivo

Ele também criticou duramente as reportagens que citam divergências dentro do Executivo. De acordo com a imprensa americana, o vice-presidente Mike Pence e o assessor de Segurança Nacional, John Bolton, não queriam que os taleban visitassem Camp David, a residência secundária dos presidentes, cenário de vários acordos históricos.

"Esta história é mentira!" disse Trump. "A mídia desonesta gosta de acreditar que a confusão reina na Casa Branca, mas esse não é o caso ", completou.

"No que diz respeito a meus conselheiros, segui seus conselhos", declarou o presidente. “Havia uma reunião prevista, foi minha ideia. E também foi minha ideia anular a reunião.”

Local polêmico

A ideia de uma reunião com os taleban em Camp David provocou reações de alguns republicanos, a poucos dias dos eventos que lembrarão os atentados de 11 de setembro de 2001.

"Camp David é o local onde os líderes dos EUA se reuniram para planejar nossa resposta depois que a Al-Qaeda, com o apoio dos taleban, matou 3 mil americanos no 11 de setembro. Nenhum membro dos taleban deveria colocar os pés ali. Jamais", escreveu no Twitter a congressista republicana Liz Cheney, filha do ex-vice-presidente Dick Cheney.

Trump autorizou as negociações diretas com os taleban em 2018. O acordo que estava a ponto de ser alcançado previa o início da retirada das tropas americanas em troca de garantias dos insurgentes para "reduzir" a violência e de que iniciassem negociações de paz diretas com as autoridades de Cabul, o que se negaram a fazer até agora. / AFP

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