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'Taleban americano' é libertado após 17 anos preso nos EUA

Ele ficará no Estado da Virgínia sob rígidos termos de liberdade condicional que limitam sua capacidade de entrar em contato com outros islamistas, por quaisquer meios

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2019 | 14h51
Atualizado 24 de maio de 2019 | 11h36

WASHINGTON - John Walker Lindh, de 38 anos, conhecido como o "taleban americano", capturado enquanto lutava com os insurgentes islamistas em novembro de 2001, foi solto nesta quinta-feira, 23, após 17 anos de prisão nos EUA, informou a imprensa americana, citando seu advogado, Bill Cummings. Lindh conseguiu reduzir 3 anos de sua pena original de 20 por bom comportamento. 

A Agência Federal de Prisões confirmou que Lindh deixou o presídio federal de segurança máxima em Terre Haute, em Indiana, no começo da manhã. 

Ele ficará na Virgínia sob rígidos termos de liberdade condicional que limitam sua capacidade de entrar em contato com outros islamistas, por quaisquer meios, informou seu advogado. 

Conhecido como "preso 001" durante a guerra contra o terrorismo travada por Washington, a libertação de Lindh reacende memórias dos ataques do 11 de Setembro em Nova York, após o qual ele se tornou para muitos um dos rostos da ameaça extremista no país. 

Além disso, traz o fato de que, quase duas décadas depois, os Estados Unidos continuam a batalha contra o Taleban sem vislumbrar um fim. 

Sua família, que mora perto de São Francisco, Califórnia, não comentou e não pôde ser contatada imediatamente nesta quinta-feira.

Em uma carta ao FBI, dois senadores citaram esta semana acusações não comprovadas de que Lindh apoia a violência extremista "abertamente" e questionaram como essa suposta ameaça pode ser contida. 

"Devemos considerar as implicações de segurança e proteção para nossos cidadãos e as comunidades que receberão indivíduos como John Walker Lindh", escreveram eles.

Redução de pena

Filho de um casal de classe média que vivia no norte de São Francisco, Lindh se converteu ao islamismo aos 16 anos e viajou para o Iêmen em 1998 para estudar árabe. Depois de voltar para casa por alguns meses, ele retornou ao Iêmen em 2000. De lá, seguiu para o Paquistão para continuar estudando em uma escola religiosa. 

Em meados de 2001, aparentemente atraído por histórias de maus-tratos aos afegãos, ele se juntou à luta do Taleban contra a Aliança do Norte - uma organização político-militar que unia diversos grupos islamitas rivais para lutarem juntos contra o Taleban.

Nesta quinta-feira, 23, o presidente Donald Trump se mostrou “preocupado” com a libertação de Lindh. “Vamos vigiá-lo de perto”, disse. “Se tivesse havido alguma forma de impedir isso (a libertação), teríamos feito em dois segundo.” 

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que a soltura de Lindh é "inexplicável e irracional". "Pelo que eu entendo, ainda ameaça os Estados Unidos da América e ainda continua comprometido com a mesma Jihad, à qual se uniu, e que matou um grande americano e um grande oficial", disse Pompeo ao canal Fox News em referência ao agente de elite da CIA Johnny Spann. "Tem algo profundamente preocupante e ruim nele."

"Eu dirigi a CIA. Johnny Micheal Spann era um dos nossos, um homem incrivelmente honesto e corajoso", disse."Agora, permitimos a saída da prisão de alguém que esteve envolvido em sua morte depois de uma sentença relativamente curta", protestou, pedindo a "revisão" da decisão.

Alison Spann, filha do oficial da CIA morto na rebelião, definiu a soltura de Lindh como um 'tapa na cara das vítimas do 11 de setembro'. A frase está na carta que a jovem, uma jornalista que vive hoje no Mississippi e tinha 9 anos quando perdeu o pai, escreveu para o presidente Donald Trump para protestar contra a libertação ocorrida hoje. A carta foi publicada em sua conta no Twitter. 

Depois de ser capturado em 2001, John Walker Lindh foi detido junto com outros taleban em uma prisão perto de Mazar-e-Sharif, no norte do Afeganistão. Foi interrogado por Spann, que foi assassinado horas depois em um motim de presos, tornando-se o primeiro americano a morrer na guerra global ao terror lançada pelo então presidente George W. Bush.

Ferido durante a rebelião, Lindh foi enviado de volta para os Estados Unidos para ser julgado e condenado a 20 anos de prisão, em outubro de 2002./ AFP 

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