Taleban americano pode ser perdoado se colaborar

O comando militar americano poderá conceder clemência a John Walker, o taleban americano detido no Afeganistão, se o jovem colaborar com as autoridades durante os interrogatórios, disseram fontes do Pentágono.Ao mesmo tempo, os californianos continuam condenando severamente Walker, a quem consideram "traidor". O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Richard Myers, disse que o combatente detido, de 20 anos, poderia ajudar a si mesmo colaborando com as autoridades. "Penso que tudo isto pode ser levado em consideração", respondeu Myers, no domingo, ao programa de televisão Fox News Sunday. John Walker tem alguma possibilidade de indulgência se der aos promotores americanos detalhes sobre o Taleban e o trabalho da Al-Qaeda, revelou um funcionário do Pentágono ao jornal San Francisco Chronicle. Alguns juristas especulam que Walker pode enfrentar acusações de alta traição, assassinato ou conspiração, mas acrescentam que, se ele colaborar nos interrogatórios, é provável que sejam consideradas atenuantes em suas acusações.Walker está detido como "prisioneiro militar", na base de Campo Rinoceronte, no sul do Afeganistão, a cerca de 100 quilômetros de Kandahar. "(Ele) está detido para sua própria segurança e será entregue às autoridades civis americanas logo que for possível" disse o porta-voz David Romley. "Está recuperando-se de um ferimento na perna, está um pouco desidratado, alimenta-se por via endovenosa, mas em geral está bem", indicou o capitão Stewart Upton. Ao mesmo tempo, na área da baía de San Francisco, onde reside e se converteu ao islamismo quando tinha 16 anos, as pessoas o condenam severamente nos "talk shows" das emissoras locais. "Se for culpado de traição, deve ser executado", disseram vários moradores da região a Ronn Owens, animador de um dos programas de entrevistas de maior audiência em San Francisco. "Não pode ser acusado de traição porque o Congresso não declarou guerra ao Afeganistão", disse um dos poucos que demonstraram simpatia pelo jovem. "Não estou certo sobre ele ter ou não feito alguma vez algo contra os EUA", disse Bruce Burhe, no programa da KGO-AM. Para defender seu filho da condenação popular, o pai de Walker (que usa o sobrenome materno), Frank Lindh - um eminente advogado do condado de Marin - disse que "ver seu filho como um soldado traidor não tem sentido", e que "ele apenas estava no lugar errado na hora errada".Leia o especial

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