Taleban amplia ação no norte do Afeganistão

Militantes escapam da ofensiva militar americana no sul do país e agora dominam regiões consideradas estáveis e aterrorizam a população

Alissa J. Rubin, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

A cidade de Kunduz, outrora um importante cruzamento no noroeste do Afeganistão, está cada vez mais sitiada. O aeroporto fechou há meses para voos comerciais. As estradas, em direção ao sul, para Cabul, e ao leste, para o Tajiquistão, não são mais seguras para os afegãos, e muito menos para os ocidentais.

Embora o número de soldados americanos e alemães no norte do país tenha dobrado desde o ano passado, a falta de segurança aumentou e o Taleban expandiu seu alcance. Grupos armados, que supostamente apoiam o governo, aterrorizam a população local e impõem todo tipo de obstáculos às organizações de ajuda humanitária, segundo confirmam trabalhadores da ajuda internacional, funcionários do governo afegão, moradores e diplomatas.

A crescente fragilidade no norte do país ressalta as limitações do esforço americano, já prejudicado pelo reduzido apoio político interno e um número fixo de tropas. A revisão anual da estratégia feita pelo Pentágono enfatizou o progresso duramente conquistado no sul, reduto dos rebeldes, onde os militares concentraram a maioria das tropas. Mas estes avanços foram conquistados à custa da segurança no norte e no leste do país.

"A situação no norte tornou-se muito mais difícil, porque os rebeldes são muito mais fortes do que antes", afirmou um diplomata ocidental de alto escalão, que pediu para não ser identificado. "É indispensável que sejam mais bem controlados."

O comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) atribuiu a instabilidade do Afeganistão aos taleban. Para muitos no país, o período de 20 anos em que os militantes mujahedin dividiram o Afeganistão em feudos é a origem dos conflitos atuais. Foi o comportamento dos senhores da guerra, entre outros fatores, que jogou a população nos braços do Taleban, nos anos 90.

"O norte tem sua própria lógica", disse Pablo Percelsi, diretor de operações no norte do Afeganistão para a Comissão Internacional da Cruz Vermelha, que há 30 anos está presente na região com uma equipe .

"O Taleban é apenas uma pequena parte da equação. Existe ainda toda a estrutura das milícias", acrescentou Percelsi. "Há grupos que extorquem dinheiro dos civis e realizam sequestros e audaciosas ações contra os estrangeiros."

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