Taleban anuncia libertação de duas sul-coreanas doentes

Para libertação de mulheres, insurgentes descartam impor condições de troca por militantes presos

Lutffullah Ormurl, da Efe,

11 de agosto de 2007 | 12h58

O Taleban anunciaram neste sábado, 11, que libertarão duas missionárias sul-coreanas mantidas como reféns, em um "gesto de boa vontade" após dois dias de negociações diretas com representantes do governo de Seul na cidade afegã de Ghazni.  "Já que estão doentes e são mulheres, as libertaremos sem nenhuma condição nem troca por prisioneiros taleban", disse à agência de notícias Efe o porta-voz insurgente Mohammed Yousif Ahmadi, que pouco depois confirmou a libertação. A decisão foi tomada neste sábado pelo conselho supremo taleban "como um gesto de boa vontade, de modo que o governo sul-coreano, seu povo e outros deveriam tentar decidir sobre o destino do resto dos reféns, libertar os prisioneiros e aceitar as exigências (do grupo)", acrescentou Ahmadi. O porta-voz afirmou à agência afegã Pajhwok que as duas missionárias foram libertadas na província de Ghazni e que em uma hora seriam entregues aos membros da delegação negociadora de seu país. As conversas começaram na sexta-feira às 18h15 (10h45 de Brasília) na sede do Crescente Vermelho de Ghazni, capital da província de mesmo nome, na qual os missionários sul-coreanos - na maioria mulheres - foram seqüestrados em 19 de julho quando passavam de ônibus pela perigosa rota entre Cabul e Kandahar (sul). Participam das negociações dois representantes da insurgência taleban, designados por seu Conselho Supremo, e uma missão enviada ao Afeganistão pela Coréia do Sul para resolver a questão, com "mediação" de um representante do governo afegão. Antes da libertação das primeiras reféns, Ahmedi informou à Efe que os diálogos giravam em torno de um primeiro grupo de oito presos taleban em troca de seqüestrados. Negociações As conversas se seguem aos contatos telefônicos mantidos no dia 2 depois que os milicianos executaram dois reféns para forçar a retirada (já anunciada para o fim deste ano) das tropas sul-coreanas destacadas no Afeganistão e a libertação dos insurgentes presos. "Uma vez que sejam libertados, entregaremos outra lista de oito prisioneiros até que a troca (pelos reféns) se complete", assinalou Ahmadi esta manhã. Posteriormente, os dois negociadores taleban compareceram à imprensa em Ghazni e afirmaram que não soltariam os reféns se o governo afegão não libertasse um número igual de prisioneiros insurgentes. "Como um primeiro passo para uma solução amigável, queremos a libertação de oito prisioneiros capturados pelo governo afegão", disse o mulá Bashir, citado pela agência afegã Pajhwok. Ele acusou o governo de não cumprir uma promessa de libertar 24 presos taleban. O outro negociador do grupo insurgente, o mulá Nasrullah, se mostrou satisfeito com o andamento das conversas. Ele espera que as negociações dêem resultado "em um ou dois dias". A entrevista coletiva dos taleban também contou com a presença do embaixador da Coréia do Sul no Afeganistão, que lidera a delegação sul-coreana nas negociações. O governo sul-coreano reiterou que não pode negociar a libertação de nenhum taleban, pois esta é uma decisão do governo afegão, que oficialmente descarta se submeter a essa chantagem dos insurgentes. Representantes do governo de Ghazni e do Ministério do Interior consultados neste sábado pela agência Efe se recusaram a dar informações sobre o conteúdo das negociações ou a participação de algum representante oficial afegão. A agência Pajhowk informou na sexta sobre a participação de um "mediador" do governo no encontro, Waheedullah Mujaddidi, que se declarou "otimista" sobre os resultados. Cabul afirma que fará "todo o possível" para conseguir a libertação dos sul-coreanos, mas sempre dentro dos limites da "lei e da Constituição" do Afeganistão. O governo afegão recebeu críticas em abril passado, quando reconheceu que tinha libertado vários presos taleban em troca do jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo, seqüestrado por um grupo insurgente. Matéria ampliada às 14h53

Tudo o que sabemos sobre:
Talebansreféns sul-coreanos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.