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Taleban anuncia novo líder após morte de mulá Mansour em ataque de drone

Haibatullah Akhunzada, uma autoridade religiosa de perfil discreto, foi escolhido de forma unânime após convocação de uma "shura" (conselho central) de emergência

O Estado de S. Paulo

25 Maio 2016 | 13h38

CABUL - O Taleban do Afeganistão anunciou nesta quarta-feira, 25, que o mulá Haibatullah Akhunzada, uma autoridade religiosa de perfil discreto, foi designado novo líder do grupo, como sucessor do mulá Mansour, morto em um ataque de drone dos EUA na semana passada.

O anúncio surpreendente coincidiu com um atentado suicida reivindicado pelo Taleban que matou 11 funcionários do Poder Judiciário ao oeste de Cabul, em mais uma demonstração da capacidade de ação dos insurgentes após a morte de seu líder em um bombardeio no sábado no Paquistão.

Os membros do Taleban convocaram no domingo uma "shura" (conselho central) de emergência para designar o sucessor e, após três dias de deliberações, escolheram o mulá Haibatullah, uma figura não muito conhecida, mas que foi um colaborador próximo de Mansur.

O novo líder, com idade por volta de 50 anos, não conquistou suas credenciais nos campos de batalha, e sim como magistrado islâmico durante os cinco anos em que o Taleban permaneceu no poder (1996-2001). É considerado o autor de vários regulamentos para a aplicação das leis corânicas de acordo com as rigorosas interpretações do islã pregadas pelo grupo.

Depois da invasão americana em 2001, foi o diretor para assuntos judiciais da insurreição islamita, segundo um porta-voz do Taleban.

Movimento dividido. Haibatullah terá a difícil missão de unificar as diversas tendências de seu movimento a respeito da eventual retomada das negociações de paz com o governo afegão. 

Sua designação foi decidida por unanimidade e todos os membros da shura juraram fidelidade, afirma um comunicado divulgado pelo Taleban. Haibatullah terá dois auxiliares, o mulá Yacub, filho do mulá Omar, fundador do Taleban, e Sirajuddin Haqqani, chefe da rede insurgente de mesmo nome, um grande aliado dos insurgentes afegãos.

Analistas apontavam os dois como possíveis candidatos à liderança suprema, mas, de acordo com fontes do Taleban, Yacub se negou a assumir o comando por ser muito jovem e Haqqani alegou "motivos pessoais".

De acordo com outra fonte, Haibatullah Akhunzada teria sido designado como sucessor pelo próprio Mansour.

De acordo com o analista paquistanês Rahimulah Yusafzai, a sucessão "representa o status quo". "Levará adiante a mesma política do mulá Mansour. Não negociará", disse. 

Para outro analista, Amir Rana, a idade de Haibatullah foi determinante. "É um dos mais idosos e mais experientes. Foi eleito para acabar com todas as dissidências". O novo líder Taleban é considerado "um partidário das negociações de paz, mas não pode fazer nada sem o consenso da shura", completou Rana.

A era Mansour, sucessor de Omar, durou apenas 10 meses. O período foi caracterizado pela intensificação das ofensivas militares e a multiplicação dos atentados, principalmente em Cabul. O governo dos Estados Unidos teria decidido eliminar Mansour por sua postura belicosa.

Ao confirmar sua morte, o presidente americano Barack Obama fez um apelo ao Taleban para que "aproveitem esta oportunidade para iniciar o processo de reconciliação com o governo afegão, como o único caminho real para acabar com conflito".

No comunicado desta quarta-feira, o Taleban prestou homenagem a Mansour, que "caiu como mártir, vítima de um disparo de drone americano". /AFP e EFE

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