Taleban aposta em diálogo no Paquistão após saída de Musharraf

Grupo fundamentalista considera 'positiva' a renúncia do líder paquistanês e pode retomar negociações de paz

Efe,

18 de agosto de 2008 | 15h07

Militantes do Taleban no Paquistão comemoraram nesta segunda-feira, 18, o anúncio de renúncia do presidente Pervez Musharraf e estenderam a mão ao governo para restabelecer as negociações de paz, paralisadas após as operações lançadas pelo Exército no conflituoso noroeste do país. Um porta-voz do grupo fundamentalista, citado pela emissora privada Dawn, afirmou que o movimento Tehreek-e-Taleban Pakistan (TTP), que reúne os grupos talebans paquistaneses, considera "positiva" a saída de Musharraf do poder e "está disposto a retomar as conversas com o Executivo sempre que revisar sua política" antiterrorista. Veja também:Perfil: Musharraf viveu reviravolta após 11/09Coalizão diz que renúncia é vitória do povo EUA apoiarão o Paquistão no combate ao terror, diz Rice O governo formado após o pleito de fevereiro passou a atuar contra o terrorismo de Musharraf, aliado dos EUA, apostando em iniciar um diálogo com os insurgentes que abandonassem a via da violência. No entanto, após vários meses de negociações, os acordos de paz assinados não impediram o aumento da violência no noroeste paquistanês, o que levou o Governo a lançar operações militares em várias áreas tribais, suspendendo as negociações. Uma fonte governamental explicou recentemente à Agência Efe que, enquanto a crise política em relação ao futuro de Musharraf não tiver fim, o Governo não restabelecerá contato com os insurgentes. Quase 700 pessoas, em sua maioria fundamentalistas, morreram nas últimas três semanas nas operações militares que as forças de segurança estão lançando contra o vale de Swat (norte) e na demarcação tribal de Bajaur, na fronteira com o Afeganistão. Na semana passada, os fundamentalistas realizaram ainda dois ataques em cidades populosas do país, Peshawar (noroeste) e Lahore (leste), ocasionando a morte de pelo menos 21 policiais e guardas de segurança. Musharraf anunciou nesta segunda-feira sua renúncia, uma decisão que ele justificou como sendo "pelo bem da nação."

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