Taleban arma civis para lutar contra os EUA

A milícia Taleban, que controla a maior parte do Afeganistão, está rearmando a população civil do país para enfrentar os ataques liderados pelos Estados Unidos e defender-se do avanço da guerrilha oposicionista Aliança do Norte, informaram à Agência Estado fontes paquistanesas em Chaman, cidade do Paquistão a um quilômetro da fronteira afegã. "A maior fonte de resistência do Taleban provém do apoio maciço da população civil pashtun, que já lutou pelos talebans e está disposta a lutar novamente", disse Abdul Sattar, comerciante de Chaman que freqüentemente atravessa a fronteira para buscar mercadorias na cidade afegã de Spin Buldek, que fica a dez quilômetros. "É um reforço que não pode ser desprezado agora." Recrutamento As armas que a milícia está distribuindo aos civis são as mesmas que foram confiscadas há cinco anos, durante uma campanha de desarmamento promovida pelo Taleban. Segundo soldados paquistaneses que atuam na fronteira, os talebans estão também recrutando jovens maiores de 16 anos para o serviço militar com o objetivo de treiná-los para o uso de armas antiaéreas e foguetes Stinger. Ironicamente, grande parte dessas armas - que vão de fuzis AK-47 a lançadores de granadas - chegaram aos mujahedines por mãos americanas, como parte do velado apoio dado por Washington aos afegãos durante a ocupação soviética, ao longo da década de 80. Outra considerável parcela do arsenal taleban provém do tráfico de armas promovido por grupos instalados nas áreas tribais autônomas do Paquistão. "Muitas tribos, como os afridis, que vivem na fronteira do Afeganistão perto de Peshawar (noroeste do Paquistão), mantêm fábricas clandestinas de armas e munições e podem fazer réplicas perfeitas de Kalashnikovs", declarou um policial de Chaman. "Essas fábricas podem produzir até 20 fuzis por dia e levá-los para o interior do Afeganistão com muita facilidade." Metralhadoras e outras armas automáticas estão sendo instaladas nos telhados de várias casas em áreas residenciais próximas de Kandahar, formando improvisadas baterias antiaéreas. De acordo com um ex-funcionário do serviço de inteligência paquistanês ouvido pela Agência Estado, muitas dessas residências foram convertidas em armazéns de armas e munições dos talebans e substituem os arsenais destruídos pelos ataques aéreos. Movidos pelo desejo de ajudar o Taleban, centenas de refugiados que estão deixando o Afeganistão pelo posto de fronteira de Spin Buldek-Chaman planejam voltar para juntarem-se à jihad (guerra santa) contra a aliança liderada por Washington. Normalmente, os homens afegãos deixam as mulheres, crianças e velhos do lado paquistanês e retornam com os filhos mais velhos para integrarem as unidades de mujahedines talebans. Segurança reforçada O êxodo dos afegãos para Chaman, que se intensificou nos últimos dias, após os ataques contínuos contra Kandahar, obrigou o governo paquistanês a reforçar o policiamento no local. Na terça-feira, 1.500 policiais foram destacados de Quetta para reforçar o contingente de dois mil homens que fazem a vigilância no posto de fronteira. De acordo com números oficiais, 350 afegãos que chegaram ilegalmente ao Paquistão foram deportados só na terça-feira. Entre os expulsos, a maioria era de mulheres e crianças. O policiamento foi reforçado também nos vários postos de controle da estrada que liga Chaman à cidade paquistanesa de Quetta, a 130 quilômetros, através da cadeia de montanhas Kozhak. Soldados fortemente armados revistam automóveis, ônibus e carroças a procura de imigrantes ilegais. As autoridades paquistanesas estão permitindo a entrada de refugiados que tinham visto concedido anteriormente por Islamabad, mas estão retendo para trás da linha divisória os que tentam entrar sem autorização legal. Novos vistos não estão sendo concedidos. Leia o especial

Agencia Estado,

25 Outubro 2001 | 14h00

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