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Taleban assume ataque que matou 88

Duplo atentado contra academia militar no noroeste do Paquistão foi o mais violento desde a morte de Osama bin Laden; segundo militantes do grupo islâmico, as mortes foram uma vingança pelo assassinato do líder da Al-Qaeda em uma operação dos EUA

, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2011 | 00h00

SHABQADAR, PAQUISTÃO - O movimento Tehrik-i-Taleban do Paquistão (TTP), que reúne várias facções do Taleban, assumiu ontem a autoria do duplo atentado que deixou ao menos 88 mortos e 120 feridos na madrugada de hoje (quinta-feira à noite em Brasília). O ataque foi lançado contra uma academia militar da guarda de fronteira na Província de Khyber Pakhtunkhwa, noroeste do Paquistão.

 

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"É uma vingança pela morte de Osama bin Laden", disse à rede de TV Dunya um porta-voz do grupo, identificado como Ehsanullah Ehsan. Ele prometeu que os "ataques contra as forças de segurança" continuarão.

Os atentados ocorreram na cidade de Shabqadar, perto de Peshawar e a duas horas de carro da capital, Islamabad. Segundo autoridades paquistanesas, das duas explosões, pelo menos uma foi causada por um suicida. Dos 88 mortos, 79 são recrutas da academia que embarcavam em um ônibus para voltar para casa após vários dias de treinamento. Dos 120 feridos, 25 estão em estado grave.

Foi o mais violento atentado desde a morte de Bin Laden, no dia 1.°, por um esquadrão de elite da Marinha americana. Ontem, os Estados Unidos condenaram o atentado contra a base e ressaltaram a importância da colaboração entre Washington e Islamabad para "desmantelar a Al-Qaeda e seus aliados". "Foi um atentado atroz," afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner.

Mas alguns especialistas não acreditam na ligação do ataque com a morte de Bin Laden. O atentado, provavelmente, foi preparado com antecedência e teria relação com a colaboração do Paquistão no combate ao Taleban. "Não dou muito crédito a essa justificativa que liga o ataque a Bin Laden", disse Rustam Shah, ex-embaixador paquistanês em Cabul.

Bin Laden. Ontem, o chefe do ISI, o serviço secreto paquistanês, general Ahmad Shuja Pasha, criticou os EUA por deixarem o Paquistão em uma "situação difícil" após o assassinato de Bin Laden e colocou seu cargo à disposição. Pasha também garantiu que o ISI estava muito perto de pôr as mãos no líder da Al-Qaeda.

"Nós havíamos cercado Bin Laden", afirmou . "Nós destruímos as conexões da Al-Qaeda." As declarações do chefe da inteligência paquistanesa foram dadas em uma sessão fechada do Parlamento, que está ouvindo a versão do governo e do Exército sobre a operação militar americana na cidade de Abbottabad. Os parlamentares, no entanto, não devem pedir a cabeça do general.

Musharraf. Ontem, pelo menos cinco pessoas morreram em outro bombardeio lançado por um avião não tripulado dos EUA no Paquistão. O bombardeio ocorreu na região de Datta Khel, no Waziristão do Norte. Aproveitando o momento de instabilidade do país, o ex-presidente Pervez Musharraf - atualmente, ele vive no exílio, alternando entre as cidades de Londres e Dubai - disse que voltará ao Paquistão antes de março para retomar sua carreira política. O general da reserva enfrenta um pedido de prisão no Paquistão. Ele é acusado de ligação com o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto. Em declarações a um jornal dos Emirados Árabes, ele falou como candidato.

"Nenhum país aceitará violações como essas por parte dos EUA, que passaram por cima da soberania, do Exército e dos serviços secretos paquistaneses", afirmou. Musharraf, que tomou o poder após um golpe de Estado, em 1999, e renunciou em 2008, ainda é uma figura poderosa no Paquistão. / AP, AFP e REUTERS

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