Kuni Takahashi/The New York Times
Kuni Takahashi/The New York Times

Taleban aterroriza Cabul em ataque a embaixada dos EUA e sede da Otan

Ofensiva de grupo radical deixa o saldo de 6 mortos e pelo menos 16 feridos - todos afegãos - e expõe sua capacidade de promover atentados até mesmo na capital; potências creem que colaboração interna tornou ação possível

, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2011 | 00h00

CABUL

Em sua ação mais direta desde que a embaixada dos EUA foi instalada em Cabul, há nove anos, rebeldes armados com granadas e bombas presas a seus corpos atacaram ontem a missão diplomática e o quartel-general da Otan, nas proximidades, minando as declarações de que o governo afegão tem condições de controlar a segurança da capital.

O tiroteio que se seguiu às explosões, iniciado no começo da tarde, prosseguia até a madrugada (horário local). Segundo as autoridades, o saldo do ataque era de 6 mortos - entre agentes de segurança afegãos e homens-bomba - e pelo menos 16 feridos. O governo americano afirmou que nenhum integrante de seu corpo diplomático sofreu ferimentos no ataque. O comando da Otan também anunciou não ter sofrido baixas entre seu pessoal militar.

O ataque levou pânico à cidade. Repartições do governo e o centro da capital se esvaziaram, ao mesmo tempo em que as pessoas fugiam das granadas disparadas pelos rebeldes e do fogo aberto pelas tropas da Otan e afegãs.

O atentado confirmou a capacidade do Taleban, que dispõe de um pequeno número de homens, de utilizar táticas de guerrilha para aterrorizar a população, dominar a mídia e zombar das afirmações do Ocidente de que o governo afegão e as forças de segurança logo poderão controlar o movimento rebelde por conta própria.

A intenção do governo dos EUA é a de retirar 30 mil soldados do Afeganistão até setembro de 2012 e entregar totalmente a responsabilidade pela segurança do país às tropas afegãs em 2014.

Embora o número de mortos seja relativamente pequeno - como ocorreu em ataques semelhantes realizados pelo Taleban em Kandahar e Cabul -, o objetivo da ação é aparentemente lançar dúvidas sobre a capacidade do governo de proteger sua população. Além de exibir a capacidade do Taleban de infiltrar-se até mesmo nas áreas mais fortemente guardadas da capital.

Alguns militantes taleban conseguiram escapar dos tiros dos policiais e tomar posição num edifício de 14 andares que estava em construção e prosseguir com o tiroteio.

O ataque foi surpreendente principalmente porque sugeriu o envolvimento de várias pessoas que teriam permitido que homens fortemente armados entrassem na cidade e passassem pelo cordão de isolamento que cerca a região central da capital. Embora há muito tempo se acredite que muitos combatentes do Taleban se infiltraram em grandes porções das zonas rurais do Afeganistão, a capital Cabul era considerada relativamente segura por causa da presença internacional e das forças de segurança afegãs.

"A natureza e a dimensão do ataque de hoje prova claramente que os terroristas receberam ajuda e orientação de alguns membros das forças de segurança do próprio governo que simpatizam com o movimento rebelde", disse Mohammed Naim Hamidzai Lalai, presidente do Comitê de Segurança Internacional do Parlamento. "De outro modo seria impossível que os autores do plano e os que o executaram conseguissem empreender um ataque tão sofisticado e complexo, neste local extremamente bem guardado."

Um funcionário ocidental de alto escalão afirmou que os ataques fazem com que a ideia de conversações de paz com o Taleban pareça "absurda".

"Isso não mostra vontade de reconciliação, mostra determinação de lutar", disse o funcionário, sob condição de anonimato. "Se o Taleban ainda pode fazer isto com cinco rebeldes tomando um edifício, esta não será esta a última vez." / THE NEW YORK TIMES

 

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