Taleban canta vitória e renova ameaças à Otan

Movimento adverte que haverá ''mais derramamento de sangue'' no país, caso as tropas estrangeiras saiam apenas no prazo estabelecido

, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2010 | 00h00

O Taleban interpretou como uma vitória de seu movimento a resolução da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de retirar seus militares do Afeganistão até 2014 e renovou as ameaças à coalizão internacional. No sábado, a Otan anunciou um pacto com o governo de Hamid Karzai para a gradual entrega da segurança no país a forças afegãs nos próximos quatro anos.

O porta-voz do Taleban Zabihullah Mujahid assinalou num e-mail enviado à imprensa que a Otan não é capaz de estabelecer um governo até a data pretendida. Não mencionou, porém, a oferta de Karzai para negociações de paz e uma eventual reconciliação. A proposta já havia sido recusada pela liderança linha dura do movimento.

Na declaração de cinco pontos, o militante definiu como "irracional" o anúncio de Otan emitido em Lisboa, alertando a Força Internacional de Assistência e Segurança (Isaf, nas sigla em inglês), braço militar da Otan no Afeganistão, de que deverá haver mais derramamento de sangue caso a organização não deixe imediatamente o país.

"Nos último nove anos, os invasores não conseguiram estabelecer nenhum tipo de governo em Cabul e nunca serão capazes de fazer isto no futuro", afirmou Mujahid. "Vários eventos inconvenientes e trágicos, além de batalhas, ocorrerão como resultado desta guerra sem sentido, imposta e sem possibilidade de vitória", disse.

O presidente americano, Barack Obama, deverá revisar a estratégia no Afeganistão no próximo mês, mas já declarou que está comprometido em iniciar uma retirada gradual de seu Exército do país a partir de julho. Karzai afirma querer suas forças encarregadas da segurança até 2014.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, declarou que nenhum vácuo ocorrerá. E o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon afirmou que a transição deverá ser pautada pela segurança e não por agendas predeterminadas.

Em resposta à determinação da Otan, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão apoiou o prazo estabelecido para a passagem do controle do vizinho Afeganistão às forças do país. Alertou, porém, para o perigo de qualquer retirada de tropas que não leve em conta as condições de segurança imediata.

"Não acho que a Otan tenha ajudado muito. Eles estão gastando milhões de dólares aqui mas não vejo sinais de prosperidade ou nada que possa mudar o padrão de vida do povo", disse o empreiteiro Siyal Khan Farahi, de 39 anos, em Kandahar, no sul do Afeganistão, local onde nasceu o Taleban. "Os EUA se declaram superpotência mas não conseguem controlar os insurgentes." A preocupação entre representantes internacionais é de que este sentimento mine as tentativas da Otan de ganhar a lealdade do povo. / AP e REUTERS

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