Noorullah Shirzada/AFP
Noorullah Shirzada/AFP

Taleban captura segunda capital de província no Afeganistão em menos de 24 horas

Milícia radical assumiu o controle de Sibergan, na Província de Jawzjan, um dia depois de Zaranj, capital de Nimroz, cair sob o poder dos insurgentes

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2021 | 10h51

CABUL - A milícia radical Taleban assumiu, neste sábado, 7, o controle da cidade de Sibargan (noroeste), a segunda capital de província que cai nas mãos dos insurgentes em menos de 24 horas desde a retirada das forças estrangeiras do Afeganistão, iniciada em maio.

"Infelizmente, Sibargan foi capturada pelos taleban", disse à agência France Presse Qader Malia, vice-governador da Província de Jawzjan, da qual a cidade é capital. Segundo ele, as forças afegãs e os funcionários do governo fugiram para o aeroporto.

Na sexta-feira, o Taleban já havia capturado a primeira capital, Zaranj (sudoeste), na Província de Nimroz, perto da fronteira com o Irã, sem encontrar uma verdadeira resistência das forças afegãs, ocupadas em defender vários capitais provinciais em todo o país ao mesmo tempo.

Se a cidade de Sibergan continuar sob controle taleban, isto representará um novo revés para o governo, que recentemente fez um apelo a antigos chefes de guerra e a várias milícias para que tentem frear o avanço dos insurgentes.

A Província de Jawzjan é o reduto do marechal Abdul Rashid Dostom, líder de uma milicia usbeque conhecida por sua crueldade e lealdade volátil. Um conselheiro do marechal Dostom confirmou a queda de Sibargan.  

"As forças de segurança e os responsáveis se retiraram para uma área a cerca de 20 quilômetros da cidade. Foi planejado, eles transportaram munição suficiente para se defenderem de um ataque do Taleban", declarou o conselheiro.

O porta-voz taleban, Zabihullah Mujahid, confirmou a captura da cidade no perfil da milícia no Twitter. Ele afirmou que as sedes da Polícia e dos serviços de inteligência, assim como todos os edifícios relacionados a eles estavam sob o controle do Taleban. 

Retirada de tropas

Desde maio, os insurgentes assumiram o controle de vastas zonas rurais e postos de fronteira cruciais em um ataque relâmpago iniciado após o anúncio da retirada das forças internacionais, que deve ser concluída em 31 de agosto, como anunciou o presidente Joe Biden.

Depois de encontrar pouca resistência nas zonas rurais, durante vários dias eles direcionaram a ofensiva para os grandes centros urbanos, cercando várias capitais de província e assumindo o controle de duas delas.

A captura de Zaranj tem pouca importância estratégica, mas envia uma imagem preocupante da capitulação das forças afegãs às demais cidades que se encontram cercadas pelos insurgentes. Nas redes sociais, as mensagens divulgadas pela milícia sugerem uma recepção calorosa da população civil de Zaranj, uma cidade gravemente atingida pelo crime. 

As imagens mostram os insurgentes taleban agitando suas bandeiras em veículos militares, enquanto são aplaudidos por homens jovens e meninos. É difícil, porém, saber em que medida as imagens transmitem um apoio real aos rebeldes ou se os civis o fazem por desejo de sobrevivência. O Taleban, segundo os responsáveis, libertaram todos os prisioneiros de Zaranj. 

Outro vídeo postado no Twitter, cuja autenticidade não pôde ser verificada, mostra grandes grupos de pessoas saqueando escritórios do governo, roubando cadeiras, mesas e televisores. 

"As forças de segurança afegãs estão desmoralizadas pela propaganda incessante do Taleban", explicou à agência France Presse uma autoridade de Nimroz, que pediu para permanecer anônima."Mesmo antes dos ataques da milícia, muitos baixaram as armas, tiraram os uniformes, deixaram suas unidades e fugiram."

De Kunduz, uma cidade ao norte cercada pelo Taleban há semanas, o ativista Rasikh Marof disse à mesma agência por telefone que os combates começaram na noite passada no centro da cidade, sem que a milícia tenha, no entanto, ganhado terreno.

As forças do governo defenderam firmement" a cidade para impedir a entrada do Talibã e responderam com ataques aéreos, segundo afirmou Marof. E acrescentou que os rebeldes usaram "morteiros e armamento pesado". "Muitas lojas fecharam e as pessoas estão trancadas em casa para se proteger", explicou o ativista. 

De acordo com o médico Ehsanullah Fazli, responsável pela saúde na Província de Kunduz, o principal hospital da cidade recebeu 38 civis feridos e 11 mortos desde o recomeço dos combates na noite de sexta-feira. "As ambulâncias não podem se mover por causa dos combates", acrescentou. "Os números podem aumentar." 

O Exército afegão, com o apoio pontual da aviação americana, está intensificando seus combates para recuperar o território perdido, com combates em ao menos 15 das 34 províncias afegãs. Segundo o Ministério da Defesa, ao menos 385 insurgentes foram mortos e 210 ficaram feridos entre sexta-feira e sábado./AFP e EFE 

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