Zhman TV via REUTERS
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Taleban celebra vitória com enterro de bandeiras estrangeiras e tiros

'Funeral' teve caixões representando Estados Unidos, França, Reino Unido e OTAN

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2021 | 19h16

KHOST, Afeganistão - Militantes do Taleban comemoraram a tomada do Afeganistão nesta terça-feira, 31, enterrando bandeiras dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e disparando tiros para o ar, um dia após as últimas tropas americanas deixarem o país. 

O funeral aconteceu na cidade de Khost, no leste do país, onde multidões se alinharam para ver o cortejo passar. Além dos caixões que carregavam as bandeiras americana e da Otan, os militantes enterraram ao menos mais dois, representando França e Reino Unido. As imagens foram transmitidas na TV local.

A retirada americana foi considerada um êxito “histórico” pelo Taleban. “Estamos orgulhosos de ter libertado nosso país de uma grande potência”, afirmou um porta-voz do grupo, Zabihullah Mujahid, na segunda-feira. As tropas americanas estavam no país desde 2001, quando o invadiram para derrubar o grupo radical, que se recusava a entregar o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, após os atentados de 11 de setembro.

As imagens do funeral contrastam com a face moderada que o Taleban promete manter. Desde a tomada de Cabul, os combatentes indicam que pretendem estabelecer laços diplomáticos com outros países. Autoridades estrangeiras, no entanto, exigem que o grupo assuma compromissos, como o respeito aos direitos humanos e a anistia a adversários.

"Qualquer pessoa que espera ajuda da comunidade internacional também deve ver que a comunidade internacional também exige certos pré-requisitos para isso", disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas.

A retirada americana foi finalizada nesta segunda-feira, 30, horas antes do prazo estipulado pelo presidente Joe Biden e depois de um atentado que matou mais de 180 pessoas. O último avião deixou Cabul pouco antes da meia noite no horário local, tarde de segunda-feira no Brasil. /REUTERS e AP

 

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