Taleban chama de 'fraude' pacto afegão

O Taleban rejeitou e chamou de "fraude" orquestrada pelos Estados Unidos o pacto para formar um governo de unidade nacional entre os dois candidatos presidenciais no Afeganistão, anunciado no domingo. O grupo, que governou o país entre 1996 e 2001, prometeu continuar em guerra com Cabul.

CABUL, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2014 | 02h03

O ex-ministro das Finanças Ashraf Ghani, nomeado presidente eleito, prometeu ontem, em seu primeiro discurso, que colocará fim à crise política e à corrupção no Afeganistão. Ele assinou o pacto para compartilhar o poder com seu oponente, o ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah, encerrando meses de incerteza. O secretário de Estado americano, John Kerry, começou a mediar o acordo em agosto. O segundo turno das eleições presidenciais ocorreu em junho, mas ambos reivindicavam a vitória.

A administração de Ghani tem como desafio não apenas forjar um governo efetivo após a disputa, mas também lidar com a fortalecida insurgência do Taleban, que tem lutado contra forças estrangeiras lideradas pelo EUA. O porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, declarou ontem que o pacto era uma "ação inaceitável orquestrada pelo inimigo". "Instalar Ashraf Ghani e formar uma administração de mentira nunca será aceitável para os afegãos", disse Mujahid em um comunicado enviado a jornalistas por e-mail. "Os americanos têm de entender que nosso solo e nossa terra pertencem a nós, e todas as decisões e acordos são feitos por afegãos, não pelo secretário de Estado dos EUA ou por um embaixador."

O Taleban governou o Afeganistão com uma interpretação radical da lei islâmica, a sharia, até ser deposto em 2001 por uma coalizão liderada pelos EUA, por ter abrigado líderes da rede terrorista Al-Qaeda após os ataques do 11 de Setembro.

Quase 13 anos depois, Washington e o ex-presidente Hamid Karzai tentaram, separadamente, iniciar conversas de paz com o grupo remanescente, mas houve pouco progresso.

Em seu discurso de ontem, Ghani disse que o processo eleitoral "fortaleceu a unidade nacional". "Não há espaço para divisão ou segmentação no país. Estamos unidos e permaneceremos unidos", disse. Ele também pediu aos refugiados afegãos que retornem e prometeu que as "meninas poderão ser as futuras líderes do país dominado por homens".

Ghani tomará posse na próxima semana. Abdullah fará parte de sua equipe. Ele ocupará um novo cargo executivo, com funções semelhantes às de um primeiro-ministro. / REUTERS e NYT

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