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Taleban confirma morte de seu líder máximo

Grupo comunica escolha do vice de Omar como seu novo líder supremo; conversas de paz entre os insurgentes o governo afegão são adiadas

O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 16h25

PESHAWAR - O Taleban confirmou nesta quinta-feira, 30, a morte de seu líder máximo, o mulá Mohammad Omar, um dia depois de o governo afegão anunciar que ele tinha morrido no Paquistão em 2013. O grupo também comunicou a escolha do vice de Omar como seu novo líder supremo. As conversas de paz entre os insurgentes o governo afegão, cuja segunda rodada começaria amanhã, foram adiadas, segundo o Paquistão. 

"A liderança do Emirado Islâmico (como o Taleban denomina o Afeganistão) e a família do mulá Omar anunciam que o fundador do Emirado Islâmico e seu líder Amir-ul Momineen (Príncipe dos Crentes) morreu em razão de uma doença", afirmou o grupo insurgente em comunicado divulgado pelo porta-voz Zabihullah Mujahid.

Na nota, assinada por líderes taleban e pela família do mulá, o grupo afirma que "apesar da pressão e de ter sido rastreado regularmente pelos Estados Unidos, ele viveu no Afeganistão nos últimos 14 anos e nunca deixou o país, nem por um dia". "Ele gerenciou os assuntos do Emirado Islâmico desde sua residência e há provas suficientes disso. Adoeceu há algum tempo e sua doença se agravou nas últimas duas semanas, quando finalmente morreu", afirmou, sem precisar a qual período exato se referia. 

"O mulá Omar era um líder honesto da 'umma' (comunidade) islâmica, que manteve erguida a bandeira do Emirado Islâmico em tempos difíceis", acrescentou a nota. Seus seguidores, afirmou a nota, rezarão durante os próximos três dias em mesquistas e lugares públicos em memória de seu líder. "Nesta situação, é nossa responsabilidade defender seu legado como fazíamos enquanto ele estava vivo. Ele deixou instituições fortes, amigos honestos e uma estrutura organizada, por isso que os mujahedin (combatentes islâmicos) e muçulmanos devem confiar que cumpriremos com nossas obrigações e objetivos", diz a nota.

O irmão do líder taleban, o mulá Abdul Emanam, e seu filho mais velho, mulá Yaqoob, pediram perdão no comunicado a todos aqueles que sofreram durante o governo do mulá Omar. 

O mulá Akhtar Mohammad Mansour foi indicado como novo líder dos insurgentes durante um encontro dos principais representantes do Taleban, muitos dos quais vivem na cidade paquistanesa de Quetta, de acordo com as fontes presentes na shura, ou reunião. “A shura realizada nos arredores de Quetta elegeu o mulá Mansour unanimemente como o novo emir do Taleban”, disse um comandante no encontro da noite de quarta-feira. 

Siraj Haqqani, líder da poderosa facção militante Haqqani, será o vice de Mansour, acrescentaram os dois comandantes. Mansour será somente o segundo líder que o Taleban escolheu desde Omar, uma figura esquiva raramente vista em público que fundou o movimento islâmico ultra-conservador nos anos 1990, após o conflito afegão-soviético.

O Taleban chegou a conquistar a maior parte do Afeganistão, impondo a lei islâmica com rigor antes de ser expulso do poder em 2001 por uma intervenção militar liderada pelos Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro daquele ano. Seu regime deu cobertura ao chefe da Al-Qaeda, Osama bin Laden, de quem Omar era sogro. 

Havia o temor de que a confirmação da morte de Omar pudesse complicar o processo de paz entre o Taleban e o Afeganistão, o que se confirmou nesta quinta-feira. Mencionando um comunicado emitido pelo grupo em Cabul, o Paquistão anunciou nesta quinta-feira o adiamento das negociações, devido a temores de que a morte pudesse desencadear uma luta sucessória potencialmente sangrenta.  

Sem Omar, os insurgentes perdem uma figura de liderança que pode acirrar as divisões entre aqueles que querem continuar a guerra e os que querem negociar com Cabul. Acabar com o conflito, porém, tem sido uma prioridade para o presidente afegão, Ashraf Ghani, que assumiu o cargo no ano passado. / REUTERS e EFE 

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