Taleban confisca sede da ONU no Afeganistão

O Taleban confiscou a sede das Nações Unidas em Kandahar, reduto da liderança espiritual do regime, e mandou cortar as comunicações de outros quatro escritórios da organização. A informação foi dada hoje em Islamabad pela porta-voz da ONU no Afeganistão, Stephanie Bunker, que não soube explicar os motivos da ação. Ela disse que a organização não obteve nenhuma explicação, que ela podia "imaginar", mas que não faria especulações.O Taleban tem expulsado funcionários estrangeiros da ONU, acusando-os de atuarem como espiões dos Estados Unidos. Segundo Stephanie, a ordem de cortar as comunicações pareceu estar baseada num amplo decreto sobre as condições de segurança no país depois do ataque terrorista aos EUA.Indagada sobre se os funcionários da ONU correriam risco de morte se não obedecessem a ordem de interromper as comunicações, Stephanie disse que, levando em conta o modo de agir do regime afegão, isso poderia acontecer. "De qualquer maneira, levamos muito a sério a ordem e obedecemos." A ordem foi dada aos escritórios da ONU em Cabul. Durante o fim de semana, o escritório de Kandahar foi ocupado.A ONU já retirou todos os seus funcionários estrangeiros do Afeganistão, permanecendo os 700 afegãos, para trabalhar dentro dos limites de sua segurança pessoal. Os vôos levando suprimentos para 5 milhões de afegãos que recebem ajuda humanitária tiveram de ser interrompidos, depois que o regime afegão fechou o espaço aéreo.Num país cuja infra-estrutura foi destruída ao longo de duas décadas de guerra - a primeira contra o invasor soviético e a segunda entre facções rivais -, a interrupção dos vôos da ONU restringiu a assistência do Programa Mundial de Alimentos a um milhão de pessoas. À medida que a guerra parece mais iminente, crescem os movimentos de famílias em todas as direções dentro do Afeganistão, procurando um local para se protegerem.Stephanie alertou para os riscos dessa movimentação no país que tem mais campos minados do mundo - o equivalente a 724 quilômetros quadrados de minas terrestres. Segundo a porta-voz, as minas margeiam as trilhas que os afegãos percorrem em busca de alimentos, de água, de mesquitas, de pastos e, agora, de abrigo e passagens clandestinas pelas fronteiras fechadas pelos países vizinhos.

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