Taleban dá proteção a Bin Landen

O principal suspeito de ser o responsável pela organização dos ataques a prédios públicos dos Estados Unidos é o terrorista saudita Osama Bin Laden. Segundo fontes `do Pentágono, Bin Laden, abrigado no Afeganistão, é provavelmente um dos responsáveis. Seguidores de Bin Laden advertiram há três semanas que iriam promover um "tremendo ataque, sem precedentes" contra interesses americanos. O terrorista, um milionário saudita que gasta sua fortuna com o financiamento de guerras santas, é um dos homens mais procurados do mundo. Acusado de ser o responsável pelos atentados às embaixadas americanas na África que deixaram 224 mortos, em 1998, ele vem sendo caçado pelos EUA desde então, sem sucesso. Em novembro de 1999, A Organização das Nações Unidas (ONU) começou a impor sanções econômicas ao Afeganistão, por abrigar o terrorista. O grupo integrista Taleban, que tomou o poder no país em setembro de 1996, pertence à corrente islâmica sunita. Embora o termo "xiita" tenha se tornado, para grande parte dos ocidentais como sinônimo de radicalismo, os muçulmanos sunitas são ainda mais ortodoxos e inflexíveis do que os xiitas. TalebanChefiado por Maulvi (Sábio) Mohammed Umar, o grupo é formado por estudantes do Alcorão e guerrilheiros que expulsaram do Afeganistão o exército da ex-União Soviética, em 1989. Não houve resistência na tomada do poder. Horas antes, as forças do presidente Burhanuddin Rabbani abandonaram a cidade após dinamitar depósitos e munições. Assim que oficializou seu comando sobre a capital Cabul, o Taleban enforcou o ex-presidente Mohammed Najibulla (que governou de 1987 a 1992 e estava exilado na embaixada da Organização das Nações Unidas), e impôs ao país a sharia, a lei islâmica. "Najibulla era um assassino sanguinário, que já havia sido condenado pelo povo afegão", declarou na ocasião o líder do Taleban. "O que fizemos foi executar a sentença." O Conselho de Estado do Taleban é formado por vários dirigentes do grupo, presidido por Mohammed Rabbani. Uma das primeiras medidas tomadas por ele foi mudar o nome do país, que deixou de ser Estado Islâmico para tornar-se Emirado Islâmico do Afeganistão. Essa foi a terceira vez que o país mudou de nome em cinco anos. Rabbani prometeu também fortes castigos para bêbados, drogados e adúlteros: "Serão apedrejados." Em meio a esse quadro, 250 mil pessoas - um quarto do da população de Cabul - teriam abandonado a cidade. No Irã, a conquista do Afeganistão foi recebida com apreensão, assim como na Rússia e na Índia. Os Estados Unidos exortaram os guerrilheiros a adotarem um regime representativo. O Paquistão, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos são os três únicos países que reconhecem o governo do Taleban, que hoje domina 90% do país. Os comandantes do movimento estabeleceram novas regras para todos os setores da sociedade e a população viu-se privada de muitos dos seus direitos. O Taleban impõe sua rígida interpretação da sharia. Os homens foram obrigados a cortar o cabelo, pois, segundo os sunitas fundamentalistas, o cabelo caindo sobre o rosto impede que este toque o chão durante as orações, separando o fiel de Deus. Foram extintos quase todos os tipos de entretenimento. Há milhares de livros proibidos, não se pode ouvir rádio, e os aparelhos de TV foram banidos, juntamente com videocassetes e antenas parabólicas. Em julho de 1998, quando a rádio Sharia anunciou o início da proibição dos eletrônicos, o vice-ministro da Promoção da Virtude e Supressão do Vício, Mohammed Qalamuddin, justificou: "Os videocassetes e televisores são a causa da corrupção da sociedade." O Taleban fechou a única estação de TV em 1996, quando tomou o poder. Centenas de moradores, porém, burlam a proibição captando TVs estrangeiras, com ajuda de antenas parabólicas caseiras, feitas até com rodas de bicicleta. Há ainda uma bem difundida e completamente ilícita troca de fitas de vídeo. Práticas medievais, como as penas de amputação por roubo, voltaram a fazer parte do cotidiano. Em agosto de 1999, num caso amplamente divulgado, possivelmente com o propósito de servir de exemplo aos novos infratores, foram cortados a mão direita e o pé esquerdo de cinco ex-milicianos afegãos, acusados de roubar o equivalente a US$ 700. As amputações ocorreram diante de uma multidão que compareceu ao estádio de Cabul para assistir ao "show". Quatro médicos, usando máscaras cirúrgicas, rezaram suas preces e em seguida cortaram os membros dos condenados. Os homens estão sujeitos a tais penas, mas ainda desfrutam de relativa liberdade, em comparação com as mulheres, que são obrigadas a cobrir o corpo inteiro, proibidas de trabalhar fora de casa, de sair à rua desacompanhadas, de estudar e de exercer sua cidadania. Praticamente toda a comunidade internacional, sobretudo os EUA, condena o regime do Afeganistão e suas práticas extremistas, mas o Taleban não parece incomodar-se. "Sacrificamos 2 milhões de pessoas pela sharia e não nos importamos com o que os Estados Unidos acham", anunciou recentemente pela TV o comando da organização.

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