Reprodução/Twitter/@Zabehulah_M33
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Taleban declara Emirado Islâmico e adota nova bandeira para o Afeganistão

Com nome usado entre 1996 e 2001, grupo indica que pretende adotar a sharia, a lei islâmica, como regra no país

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2021 | 19h16

CABUL - O Taleban alterou oficialmente nesta quinta-feira, 19, o nome do Afeganistão, que passará a se chamar Emirado Islâmico do Afeganistão. O grupo já havia usado esse nome em 1996, quando tomou o poder pela primeira vez.

A mudança foi oficializada em uma declaração compartilhada por Zabihullah Mujahid, porta-voz do grupo, nas redes sociais. Em outra postagem, Mujahid afirmou que o país deseja manter relações econômicas e diplomáticas com todos os países.

Se a tentativa for bem-sucedida, o país terá um cenário bem diferente do que havia quando se tornou Emirado Islâmico pela primeira vez. À época, poucas nações, entre elas Paquistão e Arábia Saudita, reconheciam o país.

Manifestantes saíram às ruas para protestar contra o domínio do Taleban pelo segundo dia seguido nesta quinta-feira, 19, desta vez marchando em Cabul, inclusive perto do palácio presidencial, de acordo com vídeos feitos por jornalistas locais e testemunhas. 

Entre as demandas, está a não substituição da bandeira afegã, que se tornou um símbolo de rebeldia, já que os militantes do Taleban têm sua própria - branca, com inscrições islâmicas -  que também representa o Emirado Islâmico. Nos protestos desta quinta em Cabul, uma procissão de carros e pessoas transportava bandeiras pretas, vermelhas e verdes.

Os atos ocorrem no feriado do Dia da Independência, que comemora o tratado de 1919 que pôs fim ao domínio britânico sobre o Afeganistão. A resposta do Taleban aos protestos tem sido implacável, segundo os relatos vindos do Afeganistão. Em um dos protestos em Cabul, cerca de 200 pessoas se reuniram antes de serem violentamente reprimidas por combatentes do grupo. Na cidade de Khost, no sudeste do país, os rebeldes decretaram um toque de recolher após manifestações. Em Asadabad, no oeste afegão, testemunhas afirmam que a repressão resultou em morte.

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