Taleban declara 'ofensiva de primavera' no Afeganistão

Os insurgentes do Taleban, no Afeganistão, anunciaram neste sábado o início de sua "ofensiva de primavera" anual contra o governo apoiado pelos Estados Unidos, prometendo uma série de ataques em todo o país à medida que as tropas estrangeiras se retiram. Os extremistas islâmicos disseram que vários atentados suicidas, "ataques internos" por soldados afegãos e "táticas militares especiais" teriam como alvo bases aéreas internacionais e edifícios diplomáticos, para provocar o máximo de baixas.

Agência Estado

27 de abril de 2013 | 10h48

Eles advertiram os afegãos trabalhando para regime que eles chamam de "fantoche", comandado pelo presidente Hamid Karzai, a se distanciarem do governo para evitar ser apanhado na violência prometida, e pediu aos jovens para não se juntarem à polícia ou ao exército.

A "temporada de combate" deste ano é visto como crucial para o futuro do Afeganistão à medida que as forças de segurança, muito criticadas, precisam se colocar contra os rebeldes que lutam contra o governo de Cabul desde 2001 em meio à saída das tropas da Otan do país.

As operações de combate da Otan devem terminar no próximo ano, mas os comandantes da coalizão dizem que o exército e a polícia local fizeram progressos suficientes para garantir a segurança e manter o Taleban sob controle.

A temporada de combate do Afeganistão tradicionalmente começa em abril ou maio, quando a neve se afasta das montanhas. Nos últimos anos, o Taleban marcou a ocasião com uma declaração pública de sua intenção de derrubar Karzai. A última declaração dos insurgentes comemorou o início da retirada da Otan, dizendo que "o inimigo, com todo o seu poderio militar, foi dominado e, finalmente, forçado a fugir de suas bases militares." A ofensiva deste ano, segundo a declaração, começaria no domingo "em uníssono em todo o país (...) contra os invasores e seus apoiadores degenerados".

Na semana passada, um estudo realizado pela ONG afegã Safety Office (Gabinete de Segurança) relatou que os ataques dos talebans e de outros insurgentes aumentaram 47% entre janeiro e março, em comparação com o mesmo período do ano passado.

A Organizações das Nações Unidas (ONU), em relatório, também reportou um aumento de quase 30% nas mortes de civis no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, com 475 civis mortos e 872 feridos.

Mas a Otan insiste que a guerra está sendo ganha, com o general norte-americano, Joseph Dunford, chefe da Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF), dizendo que houve um avanço "indiscutível" para o objetivo de uma nação estável.

Dawlat Waziri, porta-voz do ministério da Defesa, disse à AFP que as forças afegãs está prontas para lidar sozinhas com os rebeldes. "O Taleban não é capaz de lutar frente a frente, então eles se apoiam fortemente em ataques à bomba e em ações suicidas, causando sofrimento à população civil", acrescentou. As informações são da Dow Jones.

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