Taleban dispara em local atacado por militar dos EUA

Militantes do Taleban abriram fogo nesta terça-feira contra uma delegação formada por autoridades afegãs - dentre elas dois irmãos do presidente Hamid Karzai - que visitavam vilas no sul do Afeganistão, onde um soldado norte-americano matou 16 civis no domingo.

AE, Agência Estado

13 de março de 2012 | 09h15

O ataque ocorreu enquanto estudantes do leste do país realizavam o primeiro protesto significativo em resposta ao tiroteio de domingo, aumentando os temores sobre a repetição da onda de violentas manifestações registrada no mês passado, após a queima de exemplares do Alcorão numa base norte-americana.

Os militantes mataram um soldado afegão que fazia a segurança da delegação na vila de Balandi, disse o general Abdul Razaq, chefe de polícia da província de Kandahar, onde a visita aconteceu. Outro soldado afegão e um promotor militar ficaram feridos, informou ele.

Nove das 16 vítimas eram crianças e três eram mulheres, segundo informações do presidente. O atirador, um sargento, está sob custódia dos Estados Unidos, mas seu nome não foi divulgado. Os moradores disseram que o militar foi de casa em casa, no meio da noite, abrindo fogo contra famílias que dormiam. Ele também ateou fogo a alguns dos corpos.

A irritação era evidente nesta terça-feira nas discussões com as autoridades que visitavam o local, antes que o ataque do Taleban interrompesse o evento. "Hoje, o governador de Kandahar tentou explicar aos moradores locais que foi um único soldado, que não foi uma pessoa sã e que ele está doente", disse Abdul Rahim Ayubi, legislador por Kandahar que fazia parte da delegação.

"Mas as pessoas estavam gritando e estão muito irritadas. Elas não ouviram o governador e o acusam de defender os americanos em vez de defender o povo de Kandahar", disse Ayubi. Antes do ataque do Taleban, os integrantes da delegação pagaram indenizações aos familiares das vítimas - US$ 2 mil para cada morto e US$ 1 mil para cada ferido.

No leste do país, centenas de estudantes realizaram o primeiro protesto significativo em resposta à tragédia, gritando palavras de ordem contra o atirador norte-americano. "Morte à América!" e "Morte ao soldado que matou nossos civis!", gritavam os manifestantes na Universidade de Jalalabad, 125 quilômetros a leste de Kabul. As informações são da Associated Press.

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