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Taleban dispersa protesto de mulheres com bombas de gás e tiros para o alto; aeroporto é reaberto 

Foi a segunda manifestação de afegãs em Cabul nos últimos dois dias e a terceira no país desde que a milícia assumiu o controle da maior parte do Afeganistão

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2021 | 17h18
Atualizado 04 de setembro de 2021 | 17h38

CABUL - O Taleban dispersou com gás lacrimogêneo e disparos para o alto um protesto organizado neste sábado, 4, por mulheres afegãs, que pelo segundo dia consecutivo saíram às ruas de Cabul para exigir seus direitos e sua participação em um futuro governo afegão. As mulheres afegãs partiram do Ministério de Relações Exteriores em direção aos portões do Palácio Presidencial quando foram detidas pelo Taleban.

"Eles nos impediram de continuar a marcha e disseram que não é permitido ir até o portão do Palácio Presidencial. Eles usaram tiros e gás lacrimogêneo para nos dispersar, mesmo que cinco mulheres se reúnam em um lugar para protestar, eles as dispersam", afirmou à agência EFE uma das organizadoras do protesto, que solicitou anonimato. Ela denunciou que uma das manifestantes sofreu um ferimento na cabeça.

Foi o segundo protesto de mulheres em Cabul nos últimos dois dias e o terceiro no país desde que o Taleban assumiu o controle da maior parte do Afeganistão. Na sexta-feira, cerca de 20 afegãs se reuniram para exigir seus direitos sob o novo regime.

"O protesto de hoje estava de acordo com o apelo de ontem ao Taleban para dar às mulheres uma participação significativa em todos os aspectos da vida, incluindo na tomada de decisões e na política", declarou à agência EFE a ativista Samira Khairkhwa, outra organizadora dos protestos em Cabul.

Samira prometeu que os protestos das mulheres continuarão até que o Taleban aceite as suas exigências. "Não ficaremos caladas e não nos fecharemos em nossas casas", destacou.

Os islamistas prometeram que seu governo será "inclusivo", representando todas as etnias e tribos do país, mas no caso das mulheres, os líderes fundamentalistas pediram para esperar para ver quais serão as novas diretrizes. Eles disseram que, enquanto isso, as oficiais serão pagas em casa.

As mulheres do Afeganistão defendem que nos últimos 20 anos obtiveram grandes ganhos em direitos e educação, portanto também merecem trabalhar como ministras, diretoras e em outros cargos governamentais. Elas também pedem para a comunidade internacional não se esquecer delas, escutar as suas vozes e trabalhar na defesa de seus direitos.

Aeroporto é reaberto 

O aeroporto de Cabul retomou neste sábado a operação de voos domésticos, interrompida desde que o Taleban tomou a capital, em 15 de agosto. Desde então, o aeroporto vinha atendendo apenas a retirada de pessoas e de tropas do Afeganistão pelos Estados Unidos e países aliados.

"Os dois primeiros voos domésticos decolaram hoje do aeroporto de Cabul. Ainda há muito trabalho técnico a ser completado para tornar o aeroporto totalmente operacional para todos os voos domésticos e internacionais", declarou o porta-voz do grupo rebelde, Bilal Karimi.

Os voos fretados do Afeganistão também estarão operacionais dentro de poucos dias, após quase três semanas de interrupção das atividades. Uma fonte da companhia aérea afegã Kam Air disse que os escritórios da companhia aérea não estão abertos, mas esperam voltar ao normal em breve. 

A reabertura foi possível graças à ajuda de uma equipe técnica do Catar, que aterrissou na capital afegã há alguns dias para colocar o local em funcionamento novamente. As forças americanas, as últimas forças estrangeiras a deixar o país após duas décadas de ocupação, destruíram algumas instalações e equipamentos técnicos no aeroporto antes de deixar o país, de acordo com vários relatórios.

Neste sábado, o Taleban reabriu também a Shahzada, a maior bolsa de valores do país, fechada desde que os rebeldes tomaram o governo, há pouco mais de três semanas. "O mercado de Shahzada foi aberto hoje para operações de câmbio e para o empresariado", anunciou o porta-voz oficial do grupo, Zabiullah Mujahid, em comunicado. /EFE

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