Taleban divulga vídeo de soldado

Bergdahl é o primeiro militar americano capturado pelo grupo desde a invasão do Afeganistão, em 2001

AP e Reuters, CABUL, O Estadao de S.Paulo

20 de julho de 2009 | 00h00

O Pentágono confirmou ontem a autenticidade das imagens de um soldado americano capturado por militantes do Taleban há cerca de três semanas no Afeganistão. O vídeo foi divulgado na véspera no site YouTube e pela rede de TV árabe Al-Jazira. O soldado foi identificado pelo Departamento de Defesa dos EUA como Bowe Bergdahl, de 23 anos, do Estado de Idaho. Trata-se do primeiro soldado americano capturado pelo Taleban desde a invasão do Afeganistão, em 2001. Bergdahl foi visto pela última vez no dia 30 de junho deixando sua base, próxima à fronteira com o Paquistão, junto com três soldados iraquianos. Três dias depois, fontes ligadas ao Exército dos EUA disseram ter interceptado conversas telefônicas nas quais insurgentes diziam ter um americano como refém. O nome do soldado, porém, só foi confirmado ontem, após a gravação ser divulgada pelo Taleban. O vídeo, de 28 minutos, mostra Bergdahl vestido com roupas tradicionais afegãs, com a cabeça raspada e a barba rala. Ele é questionado por seus sequestradores sobre o que pensa do conflito e é induzido, em inglês, a pedir que as tropas americanas se retirem do Afeganistão. "Por favor, nos levem de volta para casa, para o lugar ao qual pertencemos. Aqui, estamos gastando nosso tempo e nossas vidas", pede o soldado. Bergdahl conta ainda como foi sequestrado e diz ter saudades da família. "Estou assustado. Temo que nunca poderei voltar para casa. É muito inquietante ser um prisioneiro." No vídeo, há ainda imagens do soldado comendo arroz, pão e tomando chá. O Exército americano criticou a divulgação do vídeo, qualificando-o como uma "propaganda do Taleban". "Condenamos o uso desse vídeo e a humilhação pública de prisioneiros", disse o coronel Greg Julian, porta-voz do Exército. "Isto é contra as leis internacionais."O pai do soldado, Bob Bergdahl, se recusou a falar com a imprensa, mas divulgou um comunicado por meio do Pentágono. "Estamos rezando para que nosso filho possa voltar a salvo para nossa casa e nossa família e gostaríamos de agradecer todo o apoio que estamos recebendo de amigos, familiares e de toda a nação", diz a carta. Nascido na pequena cidade de Ketchum, de pouco mais de 3 mil habitantes, Bergdahl entrou para o Exército em junho de 2008 e foi enviado para o Afeganistão em fevereiro. Até então, trabalhava em um pequeno café, onde hoje um cartaz pede aos clientes que rezem pelo soldado.

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