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Taleban diz que atentado contra Malala foi justificado

'A alvejamos porque ela falava contra o Taleban enquanto se sentava com estrangeiros sem-vergonha' afirma o grupo

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16 de outubro de 2012 | 16h55

ISLAMABAD - Insurgentes do Taleban disseram nesta terça-feira, 16, que a estudante paquistanesa baleada na cabeça por militantes do grupo merecia morrer, por ter se manifestado contra o Taleban e elogiado o presidente dos EUA, Barack Obama. Malala Yousafzai, de 14 anos, foi transferida na segunda-feira para a Grã-Bretanha, onde os médicos disseram que ela tem chances de uma "boa recuperação".

O ataque a Yousafzai, que militava pelo direito das meninas à educação, foi amplamente condenado. Autoridades disseram, sem dar detalhes, que já prenderam vários suspeitos de envolvimento com o atentado, ocorrido na semana passada.

O Taleban paquistanês descreveu Yousafzai como uma "espiã do Ocidente". "Por essa espionagem, infiéis deram-lhe prêmios e recompensas. E o Islã determina assassinar aqueles que estejam espionando para os inimigos", disse o grupo em nota.

"Ela costumava propagar contra os mujahideen e difamar o Taleban. O Alcorão diz que as pessoas que propagam contra o Islã e as forças islâmicas seriam mortas. Nós a alvejamos porque ela falava contra o Taleban enquanto se sentava com estrangeiros sem-vergonha e idealizava o maior inimigo do Islã, Barack Obama."

Yousafzai, uma menina alegre que desejava ser médica, mas depois foi convencida pelo pai a seguir a carreira política, se tornou um potente símbolo de resistência contra os esforços do Taleban para impedir a educação feminina. Houve alguns protestos e vigílias em homenagem a ela no Paquistão, mas as autoridades locais em geral evitaram criticar diretamente o Taleban pelos ataques.

"Nós não a atacamos por levantar a voz pela educação. Nós a alvejamos por se opor aos mujahideen e à sua guerra. A sharia (lei islâmica) diz que até uma criança pode ser morta se estiver propagando contra o islã."

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