Taleban diz que diálogo com Cabul é 'propaganda sem fundamento'

Insurgentes exigem retirada prévia de tropas internacionais para negociar com governo afegão

Efe

14 de outubro de 2010 | 09h02

CABUL - O movimento Taleban qualificou de "propaganda sem fundamento" as informações sobre supostos contatos com o governo do Afeganistão para conseguir a paz no país e condicionou o diálogo a uma retirada prévia das tropas estrangeiras que combatem a insurgência.

 

"O inimigo, na prática, nunca entrou em contato com os líderes do Emirado Islâmico, e menos ainda manteve conversas com eles", ressaltaram as milícias insurgentes em nota divulgada nesta quinta-feira, 14. "Não aceitaremos nenhum tipo de negociação ou cessar-fogo com o inimigo invasor, a menos que os invasores saiam do Afeganistão", acrescentaram os rebeldes.

 

Na semana passada, vários meios de comunicação ocidentais informaram sobre a existência de conversas secretas de alto nível entre o governo afegão e os taleban para negociar o fim do conflito, cada vez mais sangrento.

 

Segundo o diário The Washington Post, que citou fontes anônimas, essas conversas supostamente incluem representantes que contam com a autorização do principal líder insurgente, o mulá Omar, escondido no Paquistão.

 

Além disso, o Afeganistão reconheceu contatos "com o Taleban e seus líderes" e confirmou uma reunião em Cabul entre representantes do Afeganistão e do Paquistão, tradicional reduto do regime rebelde, para estudar a forma de levar os insurgentes à mesa de diálogo. "Eles não representam o Emirado Islâmico nem contam com a permissão do Emirado Islâmico para participar dessas reuniões", afirmaram an nota.

 

Segundo os insurgentes, é uma "perda de tempo" negociar com o "inimigo" enquanto permanecerem no Afeganistão as tropas internacionais, um total de 150 mil soldados mobilizados por todo o país sob mandato da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

 

Nos últimos meses, os EUA ofereceram a possibilidade de uma solução negociada ao conflito. O presidente afegão, Hamid Karzai, conseguiu na Conferência de Cabul, em julho, apoio internacional para um "plano de reconciliação".

 

Em setembro, o governo do Afeganistão criou um Conselho de Paz para articular o diálogo com o movimento Taleban e outros insurgentes, num momento em que estes estenderam suas atividades a grande parte do país.

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