Taleban diz que não entregará Bin Laden

O Taleban, a milícia religiosa que governa o Afeganistão, descartou a possibilidade de entregar o suspeito de terrorismo Osama bin Laden a outro país, nem que seja para julgá-lo segundo a lei islâmica, disse o porta-voz da chancelaria afegane, Faiz Ahmed Faiz, ao diário paquistanês Nawa-e-Waqt. Enviar Bin Laden para outro país "só facilitaria para que os EUA o prendam e ninguém deveria esperar que o governo afegão faça isto", disse Faiz. As Nações Unidas impuseram sanções ao Taleban em 1999 e novamente em janeiro deste ano, insistindo na entrega de Bin Laden para ser julgado, seja nos EUA ou em outro país. O ex-empresário saudita é suspeito de financiar o terrorismo. Bin Laden, que está na lista dos 10 mais procurados pelo FBI, é acusado de orquestrar os ataques com dinamite a duas embaixadas norte-americanas na África em 1998, que deixaram 224 mortos. Bin Laden negou as acusações e o Taleban, que lhe concedeu refúgio no Afeganistão, diz que os EUA não apresentaram provas para sustentar a acusação. O ex-empresário saudita também é suspeito de ser o autor intelectual do ataque suicida do ano passado contra o navio de guerra americano Cole, que matou 17 marinheiros dos EUA. "Osama é um mujahed (lutador da guerra santa) que lutou contra os comunistas para ajudar a nação afegane", diz Faiz na entrevista, referindo-se à invasão soviética de 1979. Os russos foram obrigados a retirar-se do Afeganistão em 1989. "Hoje, Osama está em dificuldades e lhe demos proteção. Ele é nosso hóspede", disse Faiz.

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