Taleban entrega refém italiano a líderes tribais

O Taleban disse neste domingo, 18, que entregou um jornalista italiano seqüestrado para líderes tribais, mas afirmou que irá recapturá-lo caso o governo afegão não cumpra suas exigências. O repórter Daniele Mastrogiacomo e dois colegas afegãos foram capturados há duas semanas na província sem lei de Helmand, onde forças da OTAN e afegãs lançaram uma grande ofensiva. O Taleban, que afirmou que o repórter confessou espionar para tropas britânicas, ampliou em três dias (até segunda-feira) o prazo para matá-lo se as exigências não forem atendidas. O jornal La Repubblica negou que ele seja espião e afirmou que trabalha no periódico desde 1980. Mastrogiacomo e seu tradutor afegão foram entregues a anciãos tribais depois que Cabul libertou dois dirigentes do Taleban, disse à Reuters o porta-voz rebelde Qari Mohammad Yousuf, por telefone via satélite, a partir de uma localidade secreta. "Entregamos os dois depois que conseguimos a libertação de duas das três pessoas que queríamos soltar," disse Yousuf, sem dar detalhes sobre a localização do italiano e do tradutor. Uma autoridade da província disse que os dois dirigentes do Taleban foram soltos na noite de sábado. Yousuf afirmou que são o porta-voz Latif Hakimi e um líder conhecido como Ustad Yasar. Eles foram presos no Paquistão em 2005 e entregues a Cabul. Yousuf disse que os rebeldes querem a libertação de um terceiro Taleban antes que o repórter seja solto. Ele afirmou que o italiano e o tradutor serão recapturados caso a exigência não seja atendida. Algumas reportagens dizem que o motorista de Mastrogiacomo foi executado na quinta-feira, levando a Itália a afirmar que redobrou os esforços para conseguir a libertação do repórter. Neste domingo, o governo italiano disse que o jornalista, nascido em Karachi, ainda estava sendo mantido refém. "Vimos notícias dizendo que ele foi entregue a líderes tribais. Isso não é libertação," disse um porta-voz do governo italiano. "Ele provavelmente foi entregue a pessoas que têm a tarefa de verificar se certas condições foram cumpridas e se ele será solto ou não," disse, acrescentando que a situação está "muito delicada." O grupo italiano de ajuda Emergency, que afirma estar mediando a crise e que recebeu um vídeo de Mastrogiacomo em 14 de março, também afirmou que a situação não foi resolvida. "As exigências do Taleban precisam ser atendidas totalmente e ainda não chegamos a isso, o que torna a situação complexa e preocupante," disse à Reuters o vice-presidente do grupo, Carlo Garbagnati. Há diferentes versões sobre o que o Taleban quer em troca do jornalista. Os rebeldes já exigiram a libertação de líderes, mas mencionaram nomes de dois dirigentes, e às vezes de três. O Taleban, que costuma executar afegãos que acusa de espionagem, exige também a retirada dos 1.900 soldados italianos do Afeganistão. Roma rejeita. Outro jornalista italiano, Gabriele Torsello, foi seqüestrado em Helmand em outubro e mantido refém por três semanas, antes de ser libertado sem danos.

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