Taleban escreve carta a Malala

Líder se explica: estudo não foi razão de atentado

O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2013 | 02h42

Adnan Rasheed, líder do Taleban paquistanês, escreveu uma carta aberta a Malala Yousafzai, baleada pelo grupo em outubro por defender o direito das meninas à educação. Embora não se desculpe pelo ataque, o comandante diz ter ficado "chocado" e "arrependido" por não tê-la "aconselhado" antes.

"Senhorita Malala", começa a carta. "Eu estava escondido quando você foi atacada. Foi um choque, queria que nunca tivesse acontecido. Queria tê-la aconselhado. Não vou argumentar se foi correto ou não, se você merecia ser morta ou não", continua Rasheed, dizendo que Malala não foi atacada por promover a educação de meninas, mas por "liderar uma campanha" contra o Taleban.

"Você disse que a caneta é mais poderosa que a espada", escreveu Rasheed, referindo-se ao discurso de Malala à ONU, na quinta-feira, quando completou 16 anos. "Eles (o Taleban) a atacaram por sua espada e não seus livros."

Malala tinha 15 anos quando um homem atirou nela e em duas outras estudantes da escola Kushal, no Vale do Swat, quando elas voltavam para casa no ônibus. Ferida na cabeça, ela foi transferida para um hospital em Birmingham, na Grã-Bretanha, onde agora vive com a família.

Na carta, Rasheed admite que o Taleban bombardeou escolas no Swat, mas diz que isso se deu porque eram usadas como esconderijo por militares durante operações contra o Taleban. Ex-soldado da Força Aérea do Paquistão, ele aconselhou Malala a voltar para casa e disse que ela poderá estudar - não em uma escola regular, porém, mas em uma madrassa (seminário religioso) para mulheres.

A carta parece uma tentativa de influenciar a opinião pública no Paquistão. Embora tenha se tornado um símbolo mundial pela educação, Malala é alvo de críticas em seu país, onde chegou a ser acusada de trabalhar para a CIA.

"Se você tivesse sido atacada por um drone (aviões não tripulados usados pelos EUA para ataques contra insurgentes nas zonas tribais), teria sido chamada para falar na ONU?", questiona Rasheed.

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