Jim Huylebroek/The New York Times
Jim Huylebroek/The New York Times

Taleban espreita as ruas de Kunduz e apreende a quarta passagem de fronteira em menos de um mês

Insurgentes estão costurando o interior do Afeganistão para apertar o nó em torno da capital, Cabul

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2021 | 10h00

KUNDUZ, Afeganistão - O Taleban está cercando Kunduz, uma capital provincial de cerca de 374 mil habitantes no norte do Afeganistão. Em menos de um mês, quatro passagens de fronteira foram capturadas. A última foi na quarta-feira, 13, em Spin Boldak. O objetivo é estreitar o nó em torno da capital afegã, Cabul, e pressionar o cada vez mais enfraquecido governo central.

A guerra do governo afegão com o Taleban entra em uma nova e perigosa fase. Durante semanas, os insurgentes têm pressionado algumas capitais da província e capturaram distritos vulneráveis ​​em todo o norte do país, às vezes sem sequer disparar um tiro. Muitas das lutas acontecem à noite, quando o forte calor diminui. Durante o dia, o centro da cidade fervilha de vendedores, mas há poucos compradores. “A maioria das pessoas foi embora. Há luta o tempo todo", diz o vendedor de melões Abdel Alim.

Vendedores e compradores correm riscos. Dezenas de civis já foram mortos e feridos no fogo cruzado. Segundo Mohammed Naim Mangal, diretor do Hospital Regional de Kunduz, até 70 pessoas são levadas ao local por dia. Apenas na noite de segunda-feira, 12, dois jovens residentes foram mortos no fogo cruzado perto da barraca de Alim. “É uma guerra permanente”, disse Mustafa Turkmen, um vendedor de tapetes. “Ninguém pode vir aqui e ninguém pode sair. Todas as noites, quando acordo, ouço tiros". Mesmo assim, Turkmen vai à sua loja.

Os distritos ao redor de Kunduz foram todos capturados pelo Taleban. As estradas que levam para fora da cidade estão sob seu controle. No momento, porém, o aeroporto local ainda está funcionando, embora não para tráfego comercial. Um helicóptero do governo foi danificado lá durante o conflito na noite de domingo. As forças especiais do governo, mais bem treinadas e mais resistentes do que as tropas regulares, não estão dando conta. 

Em meados de julho, o Taleban estava dentro de quatro dos nove distritos municipais da cidade, lutando pelo controle com as forças do governo. O tenente-coronel Masound Nijrabi expressou desprezo pelas forças regulares que não conseguem manter o território que ele e seus homens são forçados a resgatar todos os dias das mãos do grupo.

Kunduz tem uma história recente de conflito com o Taleban. A cidade foi brevemente conquistada pelos insurgentes em 2015 e novamente em 2016. Em ambas as vezes, os insurgentes acabaram sendo repelidos pelas forças afegãs com a ajuda de ataques aéreos americanos. Foi aqui que um helicóptero americano explodiu por engano um hospital do Médicos Sem Fronteiras em 2015, matando 42 pessoas. Mas, desta vez, os americanos não virão. A batalha por Kunduz se tornou uma luta íntima entre oponentes afegãos à queima-roupa.

Em outras partes do país, várias outras capitais da província estão sitiadas. Na semana passada, o Taleban forçou sua passagem pelo perímetro da segunda maior cidade do Afeganistão, Kandahar, no sul. Os combates continuaram na terça-feira em quatro distritos policiais da cidade. Dezenas de civis feridos em Kandahar foram levados aos hospitais. Milhares fugiram.

Na vizinha província de Helmand, a capital, Lashkar Gah, está à beira do colapso, dizem membros do conselho provincial. Pelo menos três outras cidades estão sob ataque ou cercadas. /WP

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