Taleban exige a saída de tropas estrangeiras para dialogar

Grupo respondeu à oferta de diálogo feita no sábado pelo presidente do país, Hamid Karzai

EFE

30 de setembro de 2007 | 09h56

O Taleban estabeleceu como condições para a paz a retirada das tropas estrangeiras no Afeganistão e a promessa destas de que aceitarão as decisões de um "diálogo entre afegãos", anunciou uma facção da milícia neste domingo, 30.  "Se essas duas condições básicas forem aceitas, então pode haver conversas sobre uma proposta da ONU para que forças de países islâmicos sejam mobilizadas no Afeganistão em substituição às tropas da coalizão liderada pelos Estados Unidos", anunciou o grupo Hizb-e-Islami (Partido do Islã). O grupo liderado por Gulbuddin Hekmatyar, ex-primeiro-ministro afegão e aliado do Taleban, respondeu assim à oferta de diálogo feita no sábado, 29, pelo presidente do país, Hamid Karzai, que também foi rejeitada pelo porta-voz do Taleban, Mohammed Yousef Ahmadi, em declarações à Efe.  "Não falaremos com o governo em Cabul enquanto os estrangeiros continuarem no Afeganistão", disse Ahmadi. "A oferta de Karzai não é nada de novo e manteremos nossa posição até expulsarmos os estrangeiros do Afeganistão". Karzai chegou a dizer que daria postos importantes ao Taleban no gabinete se eles concordassem em deixar as armas, e que ele falaria pessoalmente com o Mulá Omar e o próprio Hekmatyar se pudesse. O grupo de Hekmatyar rejeitou a proposta. "As ofertas de reconciliação do governo afegão são só propaganda como no passado. Os governantes afegãos não são sinceros no diálogo entre afegãos e o apoio estrangeiro não deu a eles a autoridade para resolver a atual crise no Afeganistão", disse o Hizb-e-Islami em comunicado. "Os afegãos lutam e sofrem as conseqüências de ver sua terra invadida por estrangeiros. Não vêem outro caminho além do de mostrar resistência e lutar, embora é fato que os afegãos queiram o fim imediato da violência e uma paz duradoura", continua o texto. O grupo de Hekmatyar pediu a retirada das tropas estrangeiras e assegurou que um governo forte e soberano só pode fincar raízes no Afeganistão quando for eleito pela maioria dos afegãos. Em seu comunicado, o Hizb-e-Islami comparou a atual luta dos EUA e seus aliados com a guerra que os mujahedins travaram contra a União Soviética de 1979 a 1989. "Quem pensar que pode governar o Afeganistão apesar da oposição da maioria dos afegãos comete um erro grave. Estão, de fato, repetindo a experiência frustrada dos russos", argumentou. Primeiro-ministro por duas vezes, Hekmatyar é considerado um terrorista pelos EUA, país contra o qual o dirigente, em paradeiro desconhecido, convocou uma guerra santa. As declarações de Karzai foram uma reação ao sangrento atentado suicida cometido em pleno centro de Cabul contra um ônibus cheio de militares, que matou 28 soldados e dois civis. No Afeganistão, só este ano, morreram mais de 4.100 pessoas vítimas da violência - a maioria, civis. Só neste domingo, três civis e vários rebeldes morreram num confronto entre tropas afegãs e internacionais.

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