Taleban justifica discriminação contra hinduístas

O movimento religioso islâmico Taleban, que governa o Afeganistão, justificou hoje a decisão de obrigar todos os hinduístas do país a usarem etiquetas de identificação e trajes amarelos para distingui-los dos muçulmanos. Apesar das críticas pela decisão, que levou o regime dos talebans a ser comparado com o da Alemanha nazista, a milícia governante afegane insistiu que seu objetivo é o de proteger as minorias religiosas. A medida certamente isolará ainda mais os talebans, que já são criticados internacionalmente por proibir o ensino às mulheres, espancar os homens que cortam suas barbas e dinamitar antigas estátuas de Buda em nome da ortodoxia islâmica.Em uma entrevista à Associated Press, o ministro da Polícia Religiosa, Mohammed Wali, disse que o Islã exige a distinção dos não-crentes. "As minorias religiosas que vivem em um Estado islâmico devem ser identificadas", afirmou o ministro. Além disso, a lei obrigará todas as mulheres hinduístas a usarem um véu da cabeça até os pés, como as mulheres islâmicas do Afeganistão, indicou Wali. Todas as decisões deste tipo devem ser aprovadas pelo líder supremo do Taleban, o mulá Mohammed Omar, e não ficou claro se ele já deu sua aprovação à medida. Wali, no entanto, disse que a decisão já está tomada e que agora se trata apenas de acertar os detalhes para a implantação da medida. O anúncio provocou indignação na Índia, onde dezenas de pessoas desfilaram em um das avenidas da cidade de Bhopal ostentando cartazes com a efígie de um barbudo soldado taleban. O ministro indiano de Relações Exteriores, Raminder Singh Jassal, qualificou a medida de "mais uma prova do atraso e da ideologia inaceitável do Taleban".

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