Taleban liberta 2 reféns sul-coreanas

Elas faziam parte do grupo de missionários cristãos seqüestrados há um mês; grupo rebelde ainda mantém 19 deles

REUTERS, AP e EFE, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

Cabul - O Taleban libertou ontem duas reféns sul-coreanas seqüestradas há quase um mês. O governador da província afegã de Ghazni, Mehrajuddin Patan, confirmou que as duas mulheres estão bem e foram levadas para uma unidade militar da Coréia do Sul para receberem atendimento médico.As duas são missionárias cristãs e faziam parte de um grupo de 23 voluntários, seqüestrados no dia 19 de julho, quando viajavam de ônibus em uma estrada entre a capital, Cabul, e a cidade de Kandahar, no sul do país."Estamos contentes pela libertação das duas", afirmou um porta-voz do governo sul-coreano. "Só não podemos nos esquecer de que devemos trabalhar pela libertação de todos os reféns", disse, referindo-se às 19 pessoas que ainda permanecem seqüestradas no Afeganistão. O Taleban afirmou ontem que não soltará mais nenhum outro refém enquanto o governo afegão não libertar vários de seus combatentes. Segundo a chancelaria sul-coreana, as duas mulheres são Kim Gina, de 32 anos, e Kim Kyung-ja, de 37. NEGOCIAÇÕESA libertação ocorreu após três dias de negociações, mediadas pela Cruz Vermelha Internacional, entre os rebeldes taleban e uma delegação sul-coreana. Assim que fecharam o acordo, os seqüestradores colocaram as duas missionárias sob custódia de um grupo de líderes tribais no Distrito de Antar, a 45 quilômetros de Ghazni. Em seguida, elas foram levadas até o local combinado com os representantes do Crescente Vermelho, onde chegaram vestindo véus e chorando muito. O episódio representou o primeiro resultado das negociações. O gesto dos rebeldes era aguardado com ansiedade depois que Abdullah Abu Mansoor, chefe militar insurgente, afirmou que o conselho supremo taleban havia autorizado a libertação incondicional de duas reféns doentes como prova de boa vontade.Restaram ainda sob poder do grupo insurgente 19 reféns vivos, a maioria mulheres. Isto porque os rebeldes já executaram duas pessoas: Bae Hyung-kyu, de 42 anos, e Shing Sun-min, de 29. Segundo os seqüestradores, os dois foram mortos porque o governo afegão não atendeu "positivamente" a suas exigências. O seqüestro dos sul-coreanos é o maior de um grupo de estrangeiros no Afeganistão desde a derrubada do regime taleban, em 2001. Para libertá-los, os rebeldes exigem a libertação de vários combatentes da prisão de Pul-e-Charkhi, nos arredores de Cabul, exigência que tem levado a delegação sul-coreana a negociar diretamente com os governos dos EUA e do Afeganistão. Também exigem a retirada das tropas sul-coreanas do Afeganistão, medida que o governo da Coréia do Sul já pretendia tomar antes do fim do ano.

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