Taleban mais fortes no 5º aniversário da queda de Cabul

O movimento Taleban não só está mais forte do que nunca desde que a Aliança do Norte tomou Cabul na madrugada de 12 para 13 de novembro de 2001, assim como exércitos estrangeiros e governos respeitam cada vez mais seu poder. Primeiro o Exército dos Estados Unidos e depois a Força para a Assistência à Segurança (Isaf), sob mandato da Otan, sofreram o assédio de uma guerrilha descentralizada, tenaz, ultramotivada e aparentemente imune às centenas de mortes que, segundo os americanos e a Isaf, ocorreram nos últimos meses, sobretudo no sul e no leste do país. Ofensivas como a Operação Pressão na Montanha, por parte dos EUA, ou a mais recente Operação Medusa, a cargo da Isaf, tentaram minar o poder do Taleban no sul e no leste do país, deixando muitos talebans mortos e poucas baixas próprias, sempre segundo fontes militares internacionais ou fontes oficiais afegãs. Apesar das várias mortes, a sensação subjetiva do reforço taleban só aumentou nos últimos meses. Movimentos como o acordo de 17 de outubro, para a retirada das tropas britânicas do distrito de Moussa Qala na província de Helmand, no sul do Afeganistão, com os líderes tribais locais, aumentaram a sensação de impotência das tropas internacionais. O acordo dos britânicos em Moussa Qala é semelhante ao assinado em 5 de setembro entre o presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, e líderes tribais do Waziristão do Norte, uma área do Paquistão que faz fronteira com o Afeganistão, onde se suspeita que talebans e membros da Al Qaeda costumam se esconder. Por conta desse acordo, o Paquistão se comprometeu a libertar todos os prisioneiros rebeldes, a devolver suas armas e veículos apreendidos, e a destruir todos os postos de controle da região. Em troca, os rebeldes pró-taleban se comprometeram a cessar todos os ataques contra instalações civis e militares na área e asseguraram às autoridades militares paquistanesas que não usariam a fronteira entre Paquistão e Afeganistão para lançar ataques ao território afegão, nem permitiriam que ninguém mais atacasse. Esse acordo e outros semelhantes parecem ter um curto futuro, depois dos eventos da última semana na região do Paquistão que faz fronteira com o Afeganistão, onde talebans, guerrilheiros independentistas locais, militantes da Al Qaeda e traficantes se movimentam livremente. O mesmo acontece diariamente em províncias como Helmand e Kandahar, no sul do Afeganistão, ou Khost e Paktika, no leste, onde na quarta-feira passada, um rebelde suicida matou 44 soldados paquistaneses em um ataque contra um campo de treinamento militar no Paquistão, em represália pelo bombardeio de uma escola muçulmana em 30 de outubro. A permeabilidade da fronteira a pessoas, idéias e mercadorias, demonstradas em eventos acontecimentos como o ataque terrorista da semana passada, levou o chefe da Otan no Afeganistão, David Richards, a se reunir com Musharraf em 10 de outubro. Desde que a Isaf tomou o controle do sul e do leste do Afeganistão, a força internacional tentou transmitir uma sensação de maior flexibilidade e integração com a população que a demonstrada pela coalizão liderada pelos EUA, que controlava toda informação sobre o descontrole progressivo do sul afegão, de modo a beneficiar os talebans. No entanto, bombardeios contra a população civil, como o de 26 de outubro, destacam a evidente incapacidade da Isaf em controlar a segurança no Afeganistão. Com todas as cautelas, a retórica e a diplomacia, no último dia dois, o representante civil da Aliança para o Afeganistão, Daan Everts, afirmou que o trabalho da Otan seria mais eficiente se contasse com mais tropas, um empreendimento que requereria o acordo de 19 países.

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