SAHEL ARMAN / AFP
SAHEL ARMAN / AFP

Taleban mata irmão de vice-presidente deposto pelo grupo no Afeganistão

Segundo relato da família, Rohullah Azizi estaria se locomovendo de carro quando combatentes do Taleban o pararam em um posto de controle no Vale de Panjshir

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2021 | 07h28

CABUL - O Taleban executou nesta semana Rohullah Azizi, irmão do vice-presidente afegão, Amrullah Saleh, que, após ter sido deposto, se tornou um dos líderes das forças de oposição anti-Taleban no Vale de Panjshir. A informação foi confirmada nesta sexta-feira, 10, pela família de Azizi.

"Eles executaram meu tio", disse Ebadullah Saleh, sobrinho de Azizi, à agência Reuters. "Eles o mataram ontem (quinta-feira, 9) e não nos deixaram enterrá-lo. Ficavam dizendo que seu corpo deveria apodrecer."

Segundo relato da família, Rohullah Azizi estaria se locomovendo de carro na quinta-feira, 9, quando combatentes do Taleban o pararam em um posto de controle. "Pelo que ouvimos no momento, o Taleban atirou nele e em seu motorista no posto de controle", disseram.

O irmão do ex-vice-presidente foi morto dias após as forças do Taleban assumirem o controle do centro provincial de Panjshir, considerada a última província que resistiu ao grupo no Afeganistão.

O Taleban assumiu o controle da maior parte do Afeganistão há três semanas, dominando Cabul em 15 de agosto, depois que o governo apoiado pelo Ocidente entrou em colapso e o presidente Ashraf Ghani fugiu do país.

A província de Panjshir, último bolsão de resistência armada contra o grupo islâmico, tem histórico de dificuldade para ser tomada. O vale montanhoso acidentado ainda está repleto de destroços de tanques destruídos durante a longa guerra contra a União Soviética na década de 1980.

A Frente Nacional de Resistência (FNR), que reúne forças de oposição leais ao líder local Ahmad Massoud, prometeu continuar a se opor ao Taleban mesmo após a queda de Bazarak, capital da província de Panjshir.

O vice-presidente deposto, Amrullah Saleh, está foragido. Ele também é ex-chefe do Diretório Nacional de Segurança, serviço de inteligência do governo apoiado pelo Ocidente que entrou em colapso no mês passado. /REUTERS e AP

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