Taleban mata um refém sul-coreano e liberta oito

Grupo islâmico diz que governo afegão não atendeu exigências e ameaça matar outros 14 capturados

AP e Reuters, Cabul, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2026 | 00h00

A polícia afegã encontrou ontem o corpo crivado de balas de um refém sul-coreano, enquanto funcionários ocidentais anunciavam a libertação de outros oito missionários asiáticos. Os 23 missionários sul-coreanos - entre eles 18 mulheres - foram capturados na semana passada quando seguiam de ônibus da capital, Cabul, para a cidade sulista de Kandahar para realizar trabalhos humanitários. Um porta-voz do Taleban disse que o governo afegão não libertou nenhum prisioneiro como o exigido e advertiu que os outros reféns serão mortos se suas demandas não forem atendidas. Negociadores sul-coreanos indicaram que o governo afegão está disposto a trocar presos pelos reféns. O presidente afegão, Hamid Karzai, e seus ministros não se manifestaram sobre o caso. Karzai prometeu não trocar mais prisioneiros por reféns depois de ter sido criticado no Afeganistão e no exterior por soltar cinco combatentes taleban em março para obter a libertação de um jornalista italiano. O corpo foi encontrado com dez disparos na cabeça, costas e estômago no distrito de Qarabagh, na província sulista de Ghazni, onde os missionários cristãos sul-coreanos foram seqüestrados na semana passada por militantes taleban, disse Abdul Rahman, um funcionário de alto escalão da polícia afegã. Segundo um policial que não quis se identificar, um militante lhe disse que o refém (cuja identidade não foi revelada)estava doente e foi morto pois não conseguia andar. Dois funcionários ocidentais, que também não quiseram se identificar porque não tinham autorização para falar, disseram que seis mulheres e dois homens foram libertados ontem pelos militantes e levados a uma base dos EUA em Ghazni. Horas antes, um funcionário afegão envolvido nas negociações disse à agência japonesa Kyodo que uma grande soma de dinheiro havia sido paga pela libertação dos oito reféns pouco antes do vencimento do prazo fixado pelos taleban. Os seqüestradores "são ladrões ávidos por dinheiro e não servos do Islã, como eles se proclamam", afirmou o funcionário, acrescentando que as negociações continuam. Outros governos estrangeiros aparentemente pagaram pela libertação de reféns no Afeganistão, mas nunca confirmaram a informação. Inicialmente, o Taleban exigiu que a Coréia do Sul retirasse seus 200 soldados que trabalham com ajuda médica e reconstrução, mas depois pediu a libertação de 23 combatentes detidos em prisões afegãs após Seul reiterar que o prazo de permanência de seus militares no Afeganistão vence em dezembro. Dois alemães e cinco afegãos também foram seqüestrados na semana passada. Um alemão foi encontrado morto esta semana e outro aparentemente permanece como refém. A Alemanha rejeita a exigência de retirar seus 3 mil soldados do Afeganistão.

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